A presente pesquisa parte da seguinte problemática: quais as percepções e vivências dos/as
alunos/as com deficiência e de seus familiares sobre a inclusão escolar na EJA? Desse modo,
o objetivo geral foi o de analisar as percepções e as vivências dos/as alunos/as com
deficiência e de seus familiares sobre a inclusão na EJA. A pesquisa se orientou tendo em
vista estes objetivos específicos: descrever como acontece a organização para a inclusão do/a
aluno/a com deficiência na Escola Flores; averiguar as percepções dos/as alunos/as e de seus
familiares sobre a inclusão escolar dos/as alunos/as com deficiência; conhecer as vivências e
as percepções dos/as alunos/as sobre as aulas desenvolvidas pelos/as professores/as;
evidenciar os avanços e os desafios percebidos pelos/as alunos/as com deficiência e por seus
familiares. Este estudo é de abordagem qualitativa, baseado na fenomenologia social
(SCHUTZ, 1979) e no estudo de caso (LÜDKE; ANDRÉ, 1986). O lócus da pesquisa é uma
escola regular que disponibiliza a modalidade da Educação de Jovens e Adultos (EJA),
localizada no município de Belém, e adota como procedimentos metodológicos a observação
in loco e a entrevista semiestruturada. Os sujeitos da pesquisa foram: os/as alunos/as com
deficiência e seus familiares. Os dados desta pesquisa foram obtidos por meio da
categorização de análise de conteúdo de Bardin (1977). Como aportes teóricos foram
utilizados: Araújo (2007), Marquez e Godoy (2020) e Haddad e Di Pierro (2000), Fernandes
(2013), Mazzotta (2005), Jannuzzi (2012), Sassaki (2020), Mantoan (2003), Ferreira (2006a;
2006b; 2009). Também recorreu-se às legislações nacionais: as Leis de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional (1961; 1971; 1996) e à Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com
Deficiência. Alguns resultados alcançados foram: ao traçarmos os perfis dos/as discentes,
verificamos que eram jovens e adultos, cuja faixa etária varia de 15 a 48 anos, os quais, em
suas trajetórias escolares, foram excluídos da educação regular. Dessa forma, seus familiares
buscam na EJA a oportunidade de escolarização e socialização para seus filhos. No que se
refere aos desafios identificados pelos/as participantes, eles estavam relacionados ao
preconceito dos/as alunos/as sem deficiência e à ausência de práticas inclusivas por parte de
alguns professores/as. Durante as observações, constatamos que esses desafios estão
relacionados às aulas baseadas no método tradicional. Apesar dos desafios, os/as participantes
identificaram avanços na aprendizagem dos/as educandos/as com deficiência após a matrícula
na instituição, tais como: avanços na leitura, escrita, socialização, comunicação e também
motivação para assiduidade da frequência escolar, pois havia na Escola Flores profissionais
que realizavam aulas que consideravam as necessidades e as habilidades dos/as discentes da
EJA.