Neste texto, apresento narrativas de Professoras dos anos iniciais sobre suas experiências em Alfabetização Científica e Tecnológica (ACT), em situações de insubordinação criativa e em contextos de Ensino e Aprendizagem em Ciências. Defendo a tese de que, ao narrarem sobre suas experiências envolvendo a Alfabetização Científica e Tecnológica, em situações de insubordinação criativa, Professoras dos anos iniciais possibilitam a si mesmas, tomadas de decisão, engajamento e participação social em diferentes contextos do Ensino de Ciências. Para isso, investigo de que forma – por meio de práticas de ensino em ACT – tomadas de decisão coletivas, engajamento e participação social são mobilizados pelas Professoras na perspectiva do Ensino de Ciências. Participam desta investigação seis Professoras de uma Escola da rede pública estadual situada na cidade de Belém-PA. As Professoras são formadas em pedagogia e atuam em turmas do 1º ao 5º anos do Ensino Fundamental. Para acessar as narrativas docentes, minha proposta foi constituir um grupo de pesquisa-formação (Josso, 2004; 2007) com encontros quinzenais nos quais, além de estudar sobre a temática em tela, narramos sobre nossas experiências envolvendo a Alfabetização Científica e Tecnológica. Para analisar o material empírico produzido, agrupei as narrativas em categorias de acordo com as semelhanças (Bruner; Weisser, 1997) e núcleo comum (Bertaux, 2010) de cada relato, mas, ao mesmo tempo, foram pensadas considerando as singularidades daquilo que contam as Professoras. Para tratar da Alfabetização Científica e Tecnológica, sobretudo na perspectiva da tomada de decisão, recorro às ideias de autores estrangeiros e nacionais a exemplo de Fourez (1994, 1997, 2003), Bybee (1995), Shen (1975), Lorenzetti (2020; 2021), Sasseron (2008), Lorenzetti e Delizoicov (2001). Associo-me às ideias de D’Ambrosio e Lopes (2014; 2015) para dialogar sobre insubordinação criativa. E às ideias de Clandinin e Connelly (2011), Bolívar, Domingo e Fernández (2001) para discorrer sobre os pressupostos da pesquisa narrativa e a compreensão teórica e metodológica da narratividade e escrita de si na pesquisa. Os resultados indicam que as Professoras mobilizam conhecimentos importantes para a promoção da alfabetização científica e tecnológica, entretanto percebi que, nos processos formativos pelos quais passaram, não foram estimuladas, ou o estímulo foi insuficiente para o trabalho com a ACT; por isso, não se sentem seguras para discutir, debater, abordar ou argumentar temáticas específicas do Ensino de Ciências. Por outro lado, considerando a insubordinação criativa das docentes, aulas-passeio ao Planetário e a Museus de Ciências são propostas com vistas à superação de suas dificuldades e com o objetivo de melhor atender às necessidades de aprendizagem dos alunos. Especificamente sobre a pesquisa-formação vivenciada pelas Professoras, o tempo no grupo possibilitou trocas de experiências e, portanto, foi formativo. Além disso, a construção, de forma colaborativa, de uma proposta de ensino para a promoção da ACT, demonstra apropriação de conhecimentos relevantes que passam a fazer parte da construção teórica vivenciada pelas Professoras.