Jamais esquecerei a primeira vez que dei vida a um computador com o simples pressionar de um botão. Durante toda minha formação pessoal e profissional, tive a oportunidade de ter acesso às tecnologias digitais. Logo, enquanto professor, continuei as investidas no uso dessas ferramentas na minha prática pedagógica. No entanto, era perceptível para mim que nem todos os professores, mesmo aqueles com a mesma idade, tinham a facilidade no uso das digitalidades e isso me trouxe à pergunta: como ocorreu a construção do meu Letramento Digital enquanto professor de língua inglesa? Assim, essa pesquisa objetiva problematizar a construção do meu próprio Letramento Digital como professor de língua inglesa, de modo a investigar as interações entre minha formação, experiências pessoais e profissionais, e o desenvolvimento do Letramento Digital nesse contexto específico. Optei pelo método da Pesquisa (Auto)biográfica com base na abordagem de formação discutidos por Miller (2013), Nóvoa (1992, 2000), Josso (2008, 2010), Abranhão (2003) e Passegi, Souza e Vicente (2011). O corpus foi composto pelas minhas narrativas (auto)biográficas que foram construídas em torno de objetos ou momentos marcantes, traçando um panorama da minha experiência desde a infância, com o primeiro contato com um computador, até a fase adulta, na qual me encontrei ensinando em um contexto de pandemia. Para as análises, fiz uso das categorias Alfabetização Digital (Frade, 2005), Letramento Digital (Gilster, 1997; Bawden, 2008; Selfe, 1999; Buzato, 2009; e Xavier, 2006), e Digitalidades e Professores (Koehler e Mishra, 2006; Puentedura, 2011; e Ribeiro, 2019). Para analisar essas categorias, decidi empregar a abordagem metodológica da Análise Interpretativista (Ribeiro et al., 2023). Concluí que a minha predisposição para o uso das tecnologias não surgiu de repente, seja pelas participações em cursos de formação continuada ou disciplinas específicas durante a graduação. O processo foi longo e abrangente, perpassando todas as áreas da minha formação, exigindo um desenvolvimento do Letramento Digital pessoal para sua transposição para o profissional, compreendendo que esse processo, ao contrário do que propunha Prensky (2001), não é uma característica inata dos "nativos digitais". Na verdade, o Letramento Digital é uma construção social complexa, influenciada por uma série de fatores internos e externos, o que inclui as oportunidades que o indivíduo tem de acesso às tecnologias, bem como sua motivação, tempo disponível e empenho para aprender e expandir constantemente seu conhecimento nessa área.