• Portal do Governo Brasileiro

Plataforma Sucupira

Dados do Trabalhos de Conclusão

UNIVERSIDADE FEDERAL DO ACRE
LETRAS- LINGUAGEM E IDENTIDADE (11001011003P0)
A Saga da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré e as Representações Amazônicas: Vozes e Silenciamentos nos Relatos de Ernesto Matoso Maia Forte e Frank Kravigny
MARCELO ZABOETZKI
TESE
08/02/2024

O presente trabalho objetiva analisar discursos, memórias e representações sobre os períodos de planejamento e execução da EFMM presentes nos relatos de viagem de Ernesto Matoso Maia Forte, “Do rio de Janeiro ao Amazonas e Alto Madeira, itinerário e trabalhos: Comissão de estudos da Estrada de Ferro do Madeira e Mamoré, impressões de viagem por um dos membros da mesma comissão”, brasileiro que, na função de secretário, participou da Comissão Morsing, entre os anos de 1882 a 1883 e o relato do estadunidense Frank Kravigny, “The jungle route”, que ainda jovem foi trabalhar nas obras da ferrovia no ano de 1909. A Estrada de Ferro Madeira-Mamoré tinha como objetivo principal o de contornar as cachoeiras e corredeiras do rio Madeira e Mamoré, obstáculos naturais à navegação e transporte de mercadorias na região e teve sua construção concretizada somente no ano de 1912. A saga da ferrovia alimentou o imaginário amazônico com diversas narrativas e representações, em especial em romances e relatos de viagem. Para guiar nosso caminho teórico-crítico na leitura/análise das obras buscamos o diálogo com os pressupostos pós-coloniais e estudos culturais, principalmente em autores como Edward Said (2011), Frantz Fanon (2013), Mary Louise Pratt (1999), Homi Bhabha (2013) e Stuart Hall (2016) que nos convidam a uma leitura/análise a contraponto e descolonizadora. Encontramos apoio também na teoria decolonial para aproximar nossa leitura/análise a uma perspectiva epistêmica que coloca a América Latina e Caribe como centro fundador da Modernidade a partir da invasão europeia e seus desdobramentos na perspectiva do sistema-mundo colonial moderno proposta por Walter D. Mignolo (2005; 2020) e colonialidade do poder na perspectiva de Anibal Quijano (2005), dentre outras contribuições do Coletivo Modernidade Colonialidade. A partir do diálogo com essas duas correntes teóricas, nossa abordagem de leitura a contraponto e método de análise buscamos identificar como os relatos de Forte (1885) e Kravigny (1940) apresentam narrativas colonizadoras, imperialistas e de intervenção no espaço-tempo amazônico. A pesquisa se propõe também a apresentar a contextualização histórica da EFMM nos períodos que compreendem da sua gênese até a sua conclusão, neste intuito as obras “A ferrovia do diabo” (1987), “Trem fantasma” (1988), “Estrada de Ferro Madeira-Mamoré: História trágica de uma expedição” (1947) e os próprios relatos que compõem nosso corpus de leitura/análise constituíram nosso principal referencial. Nossa perspectiva historiográfica faz uso também do aporte teórico de Michel de Certeau (2011) e a crítica de Durval Muniz Albuquerque Júnior (2019), que nos convidam a pensar a historiografia não como estatuto de verdade, mas como uma construção discursiva. O referencial crítico que trata da literatura da/sobre a Amazônia corrobora para articularmos as representações criadas e cristalizadas sobre o espaço amazônico, nesse processo nos serão de importante valia os estudos de Ana Pizarro (2012), Euclides da Cunha (1999), e Neide Gondim (2007), dentre outros. Nossa leitura/análise aponta para um discurso que corrobora para a manutenção do status quo da colonialidade na(s) Amazônia(s), uma vez que, em nome da “civilização, progresso e desenvolvimento”, justifica-se todo tipo de dano material e humano, sofridos e cometidos em função da construção da ferrovia. Identificamos ainda que as bases da modernidade, a racialização e capital, são marcas presentes em ambas narrativas. A natureza oscila entre a exuberância e a monotonia; os povos indígenas são corpos estereotipados, subjugados e os expedicionários assumem a si mesmos como homens em “missão civilizatória” àquela região sinônima de vazio e atraso econômico e cultural.

Relato de viagem;Representações;Colonialidade;Madeira-Mamoré;Amazônia
The present work aims to analyze speeches, memories and representations about the planning and execution periods of the EFMM present in the travel reports of Ernesto Matoso Maia Forte, From Rio de Janeiro to Amazonas and Alto Madeira, itinerary and work: Estrada de Ferro do Madeira and Mamoré, travel impressions by one of the members of the same commission, a Brazilian who, as secretary, participated in the Morsing Commission, between the years 1882 and 1883 and the report by the American Frank Kravigny, The jungle route, which still young, he went to work on the railway works in 1909. The Madeira-Mamoré Railway's main objective was to bypass the waterfalls and rapids of the Madeira and Mamoré rivers, natural obstacles to navigation and transport of goods in the region and had its construction only took place in 1912. The railroad saga fueled the Amazonian imagination with diverse narratives and representations, especially in novels and travel reports. To guide our theoretical-critical path in reading/analysis of works, we seek dialogue with post-colonial assumptions and cultural studies, mainly in authors such as Edward Said (2011), Frantz Fanon (2013), Mary Louise Pratt (1999), Homi Bhabha (2013) and Stuart Hall (2016) who invite us to a counterpoint and decolonizing reading/analysis. We also find support in decolonial theory to bring our reading/analysis closer to an epistemic perspective that places Latin America and the Caribbean as the founding center of Modernity from the European invasion and its consequences in the perspective of the modern colonial world system proposed by Walter D. Mignolo (2005; 2020) and coloniality of power from the perspective of Anibal Quijano (2005; 2019), among other contributions from the Modernity Coloniality Collective. Based on the dialogue with these two theoretical currents, our counterpoint reading approach and analysis method seek to identify how the reports of Forte (1885) and Kravigny (1940) present colonizing, imperialist and intervention narratives in the Amazonian space-time. The research also proposes to present the historical contextualization of the EFMM in the periods that comprise its genesis until its completion, with this aim being the works The Devil's Railway (1987), Trem phantom (1988), Estrada de Ferro Madeira-Mamoré: História tragedy of an expedition (1947) and the reports that make up our corpus of reading/analysis constituted our main reference. Our historiographical perspective also makes use of the theoretical contribution of Michel de Certeau (2011) and the criticism of Durval Muniz Albuquerque Júnior (2019), which invites us to think about historiography not as a statute of truth, but as a discursive construction. The critical reference that deals with the literature of/about the Amazon helps us to articulate the representations created and crystallized about the Amazonian space. In this process, the studies by Ana Pizarro (2012), Euclides da Cunha (1999), and Neide Gondim (2007), among others. Our reading/analysis points to a discourse that corroborates the maintenance of the status quo of coloniality in the Amazon(s), since, in the name of “civilization, progress and development”, all types of material damage are justified and human, suffered and committed as a result of the construction of the railway. We also identify that the bases of modernity, racialization and capital, are marks present in both narratives. Nature oscillates between exuberance and monotony; The indigenous peoples are stereotypical, subjugated bodies and the expeditioners assume themselves as men on a “civilizing mission” to that region synonymous with emptiness and economic and cultural backwardness.
Travel report;Representations;Coloniality;Madeira-Mamoré;Amazon
1
292
PORTUGUES
UNIVERSIDADE FEDERAL DO ACRE
O trabalho possui divulgação autorizada
Tese Marcelo Zaboetzki com ficha catalográfica - Marcelo Zaboetzki.pdf

Contexto

Linguagem e Cultura
LÍNGUA(GENS) E FORMAÇÃO DOCENTE
Ciências do Léxico: educação, línguas e culturas

Banca Examinadora

SIMONE CORDEIRO OLIVEIRA PINHEIRO
DOCENTE - PERMANENTE
Sim
Nome Categoria
ROBERTO MIBIELLI Participante Externo
QUEILA BARBOSA LOPES Docente - PERMANENTE
DANGLEI DE CASTRO PEREIRA Participante Externo
FRANCISCO BENTO DA SILVA Docente - PERMANENTE
SIMONE CORDEIRO OLIVEIRA PINHEIRO Docente - PERMANENTE

Vínculo

Servidor Público
Instituição de Ensino e Pesquisa
Ensino e Pesquisa
Sim
Plataforma Sucupira
Capes UFRN RNP
  • Compatibilidade
  • . . .
  • Versão do sistema: 3.87.17
  • Copyright 2022 Capes. Todos os direitos reservados.

Nós usamos cookies para melhorar sua experiência de navegação no portal. Ao utilizar o gov.br, você concorda com a política de monitoramento de cookies. Para ter mais informações sobre como isso é feito, acesse Política de cookies.Se você concorda, clique em ACEITO.

Politica de Cookies

O que são cookies?

Cookies são arquivos salvos em seu computador, tablet ou telefone quando você visita um site.Usamos os cookies necessários para fazer o site funcionar da melhor forma possível e sempre aprimorar os nossos serviços. Alguns cookies são classificados como necessários e permitem a funcionalidade central, como segurança, gerenciamento de rede e acessibilidade. Estes cookies podem ser coletados e armazenados assim que você inicia sua navegação ou quando usa algum recurso que os requer.

Cookies Primários

Alguns cookies serão colocados em seu dispositivo diretamente pelo nosso site - são conhecidos como cookies primários. Eles são essenciais para você navegar no site e usar seus recursos.
Temporários
Nós utilizamos cookies de sessão. Eles são temporários e expiram quando você fecha o navegador ou quando a sessão termina.
Finalidade
Estabelecer controle de idioma e segurança ao tempo da sessão.

Cookies de Terceiros

Outros cookies são colocados no seu dispositivo não pelo site que você está visitando, mas por terceiros, como, por exemplo, os sistemas analíticos.
Temporários
Nós utilizamos cookies de sessão. Eles são temporários e expiram quando você fecha o navegador ou quando a sessão termina.
Finalidade
Coletam informações sobre como você usa o site, como as páginas que você visitou e os links em que clicou. Nenhuma dessas informações pode ser usada para identificá-lo. Seu único objetivo é possibilitar análises e melhorar as funções do site.

Você pode desabilitá-los alterando as configurações do seu navegador, mas saiba que isso pode afetar o funcionamento do site.

Chrome

Firefox

Microsoft Edge

Internet Explorer