A presente pesquisa busca, através de um estudo de caso, compreender como os conhecimentos indígenas se relacionam, no ensino de ciências, para os alunos do Ensino Fundamental I, estudantes da Escola Estadual Indígena Tuxaua Luiz Cadete, de Canauanim. Esta comunidade está localizada a aproximadamente 25 km da capital Boa Vista-RR, na Terra Indígena Canauanim, Região Serra da Lua, município de Cantá. Este estudo parte de uma atividade social das crianças, que é pescar no igarapé com garrafa PET. Nesse sentido, o Método Indutivo Intercultural – MII nos ajuda a explicitar os conhecimentos indígenas envolvidos nessa atividade. O MII foi desenvolvido por Jorge Gasché e se fundamenta na Teoria de Vigotski, a Teoria da Atividade, que defende que o desenvolvimento do ser humano se dá através da necessidade de uma relação com o meio no qual está inserido, sendo, portanto, a personalidade produzida pelas relações sociais que o ser humano estabelece por sua atividade e se constitui como um processo avançado de desenvolvimento. Dessa maneira, o MII visa explicitar os conhecimentos indígenas na execução de suas atividades com a natureza e em sociedade, o que Gasché chama de sociotureza. Além do estudo de caso, utilizamos, na pesquisa, o método etnográfico, visando descrever as principais atividades realizadas pelas crianças indígenas. Assim, foi construído um calendário socionatural das crianças da referida comunidade, utilizado para analisar como as atividades do estudante são formadas a partir de suas relações sociais com a comunidade e com a natureza. Foi verificado, ainda, como os professores indígenas têm trabalhado o ensino de ciências, nas séries iniciais do Ensino Fundamental I, tendo em vista o atual currículo escolar indígena posto a partir de uma visão pedagógica ocidental. Em outras palavras, os conhecimentos indígenas não são levados em consideração, uma vez que o colonialismo do saber tem permanecido até os dias de hoje com uma roupagem diferente.