Este trabalho apresenta os resultados de pesquisa de mestrado que se propõe a compreender
alfabetização e letramento nas políticas públicas e na prática da professora alfabetizadora,
tendo em vista as políticas públicas de alfabetização. Objeto geral compreender as concepções
de alfabetização e letramento que embasam as atuais políticas públicas de alfabetização e a
relação destes documentos com as práticas alfabetizadoras em uma escola no Sistema
Municipal de Ensino de Petrolina-PE que atua no primeiro ano inicial do ensino fundamental.
Do ponto de vista epistemológico na teoria da Relação com o Saber, de Bernard Charlot, a
partir da perspectiva antropológica, na qual a problemática se encontra na entrada do sujeito
em uma atividade intelectual, ou seja, nas razões pelas quais se mobiliza e o sustenta seu
ingresso em uma atividade. Quanto à natureza dos dados, esta investigação se classifica como
qualitativa, e quanto à fonte de informação, considera-se a pesquisa análise documental. Os
documentos oficiais regem o ciclo de alfabetização como a Política Nacional de Alfabetização
(PNA), Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e outros documentos que são Leis
Diretrizes Bases (LDB) e o Currículo Movimento em Ação Petrolina. Como referencial
teórico-metodológico, buscou-se a abordagem estudo de caso etnográfico por Lüdke e André
(2003). Para os estudos relacionados com a alfabetização Soares (2000; 2003; 2004; 2016), e
Morais (2005; 2012; 2019). Os resultados da pesquisa apontam que, diante das informações,
a rotina da alfabetizadora, ao mesmo tempo em que demandava entendimento de como o
sistema de escrita funciona e de como a linguagem escrita é apresentada nos diversos gêneros
textuais, do ponto de vista da aprendizagem, requer apreensão de como as crianças se
apropriam desses conhecimentos para fazê-las avançar. Podemos dizer que, na rotina da
professora, destacam-se o caráter criativo de suas artes de fazer e na maneira pela qual fez uso
dos produtos (documentos oficiais) que lhe eram atribuídos, apropriando-se deles para
inventar, diariamente, seu cotidiano para alfabetizar e letrar todos os estudantes. Conforme
realçamos no nosso quadro teórico, a proposta dos ciclos prevê o atendimento à
heterogeneidade das aprendizagens, a flexibilização curricular, entre outros aspectos. De
acordo com o que nossos dados apontaram, a docente busca acompanhar os estudantes
em suas especificidades, mas, de forma concomitante, demonstrava preocupação com a
apropriação autônoma dos objetos enfocados na área de língua. Ficou explícito, também, que
a docente utiliza os métodos de alfabetização tradicionais, seguindo as normas dos
documentos oficiais da Rede Municipal do Ensino.