Atualmente, o Ensino de Ciências (EC) ocupa posição de destaque na sociedade,
pois, desempenha um papel fundamental na formação dos cidadãos, desde os
primeiros anos escolares. Seu objetivo fundamental é promover a Alfabetização
Científica e Tecnológica (ACT) desde as primeiras idades. O estudo aqui relatado teve
como objetivo analisar o modo como documentos oficiais (Leis, Decretos, Resoluções
e Currículos) orientam e promovem a formação docente no âmbito dos cursos de
Licenciatura em Pedagogia, notadamente na área das Ciências da Natureza, tendo
em vista que cabe a esses profissionais a promoção da ACT na Educação Infantil e
Anos Iniciais. Portanto, o estudo buscou produzir e analisar dados sobre a formação
inicial dos pedagogos/as para a promoção da educação científica na infância. Há a
expectativa de que este estudo possa contribuir para o constante repensar da
formação inicial e permanente dos docentes e a promoção de políticas públicas que
promovam a qualidade da educação no segmento escolar. Trata-se de pesquisa
qualitativa de abordagem documental, que analisou, além de documentos oficiais,
relativos à formação dos professores licenciados em Pedagogia, os Projetos
Pedagógicos (PPC) de 126 Cursos licenciaturas em Pedagogia, ofertadas pela rede
pública federal. Os dados aqui apresentados foram coletados em fontes oficiais do
Ministério da Educação (MEC), bem como nos sites das próprias universidades que
mantém, na atualidade a oferta destes cursos. Identificamos que, das 68
universidades públicas federais, 61 oferecem o curso de Licenciatura em Pedagogia,
com as seguintes características: (1) distribuídos em todas as regiões do Brasil; (2)
ofertados, principalmente, na modalidade presencial e, em menor proporção, também
na modalidade de educação a distância (EaD); (3) cujas vagas estão disponíveis
principalmente no turno da noite, seja de forma exclusiva, seja em combinação com
turnos diurnos. Inicialmente foram analisados os objetivos dos cursos de Pedagogia,
observando que os 126 PPC priorizam a formação voltada para atuação na docência
e gestão, com pouca ênfase em pesquisa, cultura e difusão do conhecimento
científico-tecnológico no campo educacional, inclusive através do perfil almejados
para os egressos. De um modo geral observou-se que nas propostas curriculares em
vigor, as discussões epistemológicas, de conteúdos específicas e didático
metodológicas das áreas de conteúdo escolar, demonstraram estar em segundo plano
no país, uma vez que ocupam o menor espaço curricular em termos de carga horária.
Ao analisar os 283 Componentes Curriculares (CCR) específicos da área de Ciências
da Natureza, de natureza obrigatória, observamos uma tendência que o foco prioritário
está nos fundamentos teóricos e metodológicos da área, ou seja, o destaque está para
o “como ensinar” Ciências. Já nos CCR optativos, as ênfases recaem também sobre
o ensino de ciências mas podemos observar a presença de temas mais abrangentes,
como, “tecnologias”, “cidadania” e “epistemologia”. Em suma, há uma concentração
no “como ensinar” em detrimento do “o que ensinar”, uma antiga insatisfação dos
cursos de Pedagogia no Brasil. Destacamos a importância de um equilíbrio entre
metodologia, fundamentos teóricos e conhecimento específico, condição esta que
exigirá uma carga horária maior a ser dedicada às áreas de conteúdo escolar, uma
que é delas que virão muitos elementos necessários à tão necessária e desejada
alfabetização científica dos cidadãos.