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UNIVERSIDADE FEDERAL DE JATAÍ
EDUCAÇÃO (52060004004P1)
Educação Presencial
RACISMO ESTRUTURAL O SEU “(IM)POSSÍVEL” SILENCIAMENTO NA ESCOLA NA VOZ DE PROFESSORES(AS) NEGROS(AS)
HANNA APARECIDA SILVA FEITOSA
DISSERTAÇÃO
11/09/2024

O racismo estrutural no Brasil reflete-se diretamente nas instituições, sejam elas de formação social, profissional ou religiosa, e com a escola não é diferente. A formação e atuação de professores/as também são atravessadas pelo racismo estrutural, conceito construído para compreensão e resistência do pensamento negro global e local. Portanto, uma educação antirracista e voltada para as relações étnico-raciais é imprescindível para a concepção do conhecimento e vivência dos indivíduos, para que possam ser capazes de respeitar as diferenças e reconhecê-las como algo fundamental para uma boa convivência em comunidade. A problemática da pesquisa é saber o que os professores/as negros/as têm a dizer sobre o racismo estrutural na escola (educação e processos de ensino-aprendizagem), a partir de seus olhares da realidade em que atuam, passando pela Lei Federal 10.639/03, até chegar ao Projeto Político Pedagógico (PPP).Utiliza-se como metodologia entrevistas semiabertas, com gravações das vozes de professores/as negros/as, atendendo às exigências do Comitê de Ética da Universidade Federal de Jataí. A análise levou em consideração a Análise de Conteúdo bardiniana, que foi fundamental para responder à problemática e atender aos objetivos da pesquisa. Os resultados obtidos foram fundamentais não só para compreender o impossível ou possível silenciamento do racismo nesses espaços, mas também para se pensar soluções cabíveis para solucionar tal problema, sobretudo sobre o viés da responsabilidade social das pesquisas em educação, apontado nas conclusões. Com a metodologia empregada, foi possível também compreender como são e estão os espaços, o ensino e a educação por meio da percepção de docentes, as dificuldades que encontram, silenciando o racismo, porque não possuem formação que permita a percepção evidente do racismo estrutural ou pelo menos não querem enfrentá-lo. Identifica-se também o que pensam e como agem diante dos atos de racismo que presenciam no cotidiano de suas práticas, além de presenciar falas que negam veementemente o racismo, não só na escola como na sociedade. O texto, sob uma análise do racismo estrutural na educação escolar, tece ainda reflexões que retratam a implementação da Lei 10.639/03, em que professores/as a efetivam/realizam com sucesso; já em outros casos, é possível perceber que não é possível dar tão certo assim. Nas escolas em que os professores/as entrevistados/as atuam, são exemplos de não efetivação da referida Lei. No caso, trabalham apenas o 20 de novembro, e quando trabalham, focam somente após a chegada dos negros em terras brasileiras – algo recorrente nas pesquisas sobre a temática, em mais de vinte anos sobre a Lei. Nos resultados, encaminhando para as considerações finais da pesquisa, pode-se apontar a pouca efetividade da formação continuada ao longo destes mais de vinte anos da Lei e, por consequência, traz novas problemáticas para serem repensadas na formação inicial, nas licenciaturas, voltada para a formação antirracista de futuros professores. O racismo estrutural dos espaços educacionais é alimentado pelo racismo individual e institucional, dando-lhe força para o enraizamento e proliferação. Contudo, se os/as professores/as não tiverem uma formação sólida, haverá a continuação deste mal social e cultural de negar, às vezes desver, principalmente, silenciar os negros/as. Nas considerações finais, além do já indicado sobre a responsabilidade social da pesquisa, são propostos caminhos para que professores/as negros/as e estudantes negros/as possam trilhar no encontro da melhor saída, nos espaços escolares e no chão da sala de aula, para o combate e não silenciamento do racismo estrutural. Um dos pontos é se posicionar, ocupar a posição de cidadão/cidadã democrático/a e buscar uma educação e uma escola que sejam mais que “não racistas”, mas antirracistas, e denunciar o silenciamento das práticas racistas em todos os espaços

racismo estrutural escolar;professores/as negros/as;educação antirracista
Structural racism in Brazil is directly reflected in institutions, whether they are social, professional, or religious, and schools are no exception. The training and practice of teachers are also influenced by structural racism, a concept developed to understand and resist global and local black thought. Therefore, an anti-racist education focused on ethnic-racial relations is essential for shaping individuals' knowledge and experiences, enabling them to respect differences and recognize them as fundamental for harmonious community living. The research problem is to understand what black teachers have to say about structural racism in schools (education and teaching-learning processes) from their perspectives of the realities in which they work, spanning from Federal Law 10.639/03 to the Political-Pedagogical Project (PPP). The methodology employed consists of semi-structured interviews, recording the voices of black teachers, complying with the ethical requirements of the Federal University of Jataí. The analysis considered Bardin's Content Analysis, which was crucial for addressing the research problem and meeting its objectives. The results obtained were vital not only for understanding the possible or impossible silencing of racism in these spaces but also for considering viable solutions to address this issue, particularly regarding the social responsibility of educational research, as indicated in the conclusions. The methodology also allowed for an understanding of how educational spaces, teaching, and education are perceived by educators, the challenges they face in silencing racism, often due to a lack of training that enables clear recognition of structural racism or a reluctance to confront it. The study also identifies their thoughts and actions in response to acts of racism they witness in their daily practices, along with testimonies that vehemently deny racism, both in schools and society. The text analyzes structural racism in school education and offers reflections on the implementation of Law 10.639/03, highlighting instances where teachers successfully carry it out; in other cases, it becomes evident that it is not implemented effectively. In schools where the interviewed teachers work, there are examples of nonimplementation of this Law. They may acknowledge Black Awareness Day on November 20, but when they do address it, the focus is solely on the arrival of black people in Brazilian territory—an aspect frequently noted in research on this theme over more than twenty years since the enactment of the Law. In the results leading to the final considerations of the research, it is noted that the effectiveness of ongoing training over these more than twenty years since the Law's implementation has been minimal, consequently raising new issues to be reconsidered in initial teacher training programs focused on anti-racist education for future teachers. The structural racism in educational spaces is fueled by individual and institutional racism, strengthening its root and proliferation. However, if teachers do not receive solid training, this social and cultural evil will continue to deny, and at times, overlook, especially silencing black individuals. In the final considerations, in addition to the previously mentioned social responsibility of research, pathways are proposed for black teachers and students to follow in finding better solutions in school spaces and in the classroom to combat and not silence structural racism. One of the key points is to take a stand, occupy the position of a democratic citizen, and seek an education and a school that are not merely "non-racist," but truly antiracist, and to denounce the silencing of racist practices in all spaces
school structural racism;black teachers;anti-racist education
1
139
PORTUGUES
UNIVERSIDADE FEDERAL DE JATAÍ
O trabalho não possui divulgação autorizada

Contexto

EDUCAÇÃO
1 CULTURA, IDENTIDADES, LINGUAGEM NOS/EM PROCESSOS EDUCACIONAIS
Cultura e processos formativos em educação em ciências e matemática, tecnologias, diversidades e educação sexual.

Banca Examinadora

CLAUDIONOR RENATO DA SILVA
DOCENTE - PERMANENTE
Sim
Nome Categoria
SILVIO RIBEIRO DA SILVA Docente - PERMANENTE
CLAUDIONOR RENATO DA SILVA Docente - PERMANENTE
CLAUDETE DE SOUSA NOGUEIRA Participante Externo

Financiadores

Financiador - Programa Fomento Número de Meses
FUND COORD DE APERFEICOAMENTO DE PESSOAL DE NIVEL SUP - Apoio à Integração Graduação/Pós-Graduação 24

Vínculo

-
-
-
Não
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