A presente pesquisa tratou, numa perspectiva dialética, da relação Trabalho, Educação e Identidade de Classe junto a egressos do Sistema de Organização Modular de Ensino (SOME), considerando-a a partir da integração entre saberes elaborados e saberes produzidos no contexto de práticas educativas experienciadas por discentes/trabalhadores do Sistema Modular de Ensino (SOME) no interior da comunidade ribeirinha de Mutuacá de Baixo no Município de Cametá-Pará, no contexto das contradições capital e trabalho. A pesquisa teve por objetivo “analisar como as práticas educativas, numa perspectiva de integração entre saberes elaborados e saberes produzidos, experienciadas pelos discentes/trabalhadores do Sistema de Organização Modular de Ensino (SOME), contribuíram para uma possível (re)construção de identidade de classe”. Utilizou-se como método da pesquisa o materialismo histórico-dialético, buscando compreender o fenômeno em seu contexto histórico-social, a partir de relações da contradição capital e trabalho, considerando ainda a categoria mediação. Quanto à metodologia, de natureza qualitativa, realizamos revisão bibliográfica sobre as categorias trabalho e saberes, a partir de Marx (2008), tomando a ergologia Schwartz (2000, 2002, 2013, 2014) como norte analítico sobre atividades de trabalho (egressos e docentes), bem como sobre Sistema de Organização Modular de Ensino (SOME) e integração no contexto de práticas educativas, a partir de Ciavatta (2005, 2014, 2020), Rodrigues (2012, 2020), Ramos, (2005, 2008, 2010), Saviani (2011, 2012, 2013, 2015), Araújo; Frigotto (2020), Silva (2018), Sousa (2020), Moutinho (2020), Neto (2020); sobre Identidade de Classe, consideramos Dubar (2005), Lukács (2012), Marx (2009b). Também realizamos entrevista semiestruturada, a partir de Michelat (1985), os dados coletados foram analisados na perspectiva da análise de conteúdo (Franco, 2007). Os resultados apontam que o contexto de práticas educativas experienciadas por egressos do Sistema de Organização Modular de Ensino (SOME) apresentaram, esporadicamente, processos de integração entre saberes elaborados e saberes produzidos. Isto posto, as práticas educativas que apresentaram, esporadicamente, processos de integração contribuíram para a construção de uma identidade de classe (em si), promovendo, desse modo, o reconhecimento do sujeito ribeirinho enquanto classe trabalhadora (posição de classe).