Durante a década de 1980, são adotadas políticas públicas que, juntamente com a atuação da
sociedade civil e demais agentes urbanos, resultaram na construção de moradias em regiões
distantes e carentes de infraestrutura adequada, intensificando a expansão territorial e a
urbanização de São Paulo, com foco nas áreas periféricas, particularmente na zona leste .
Órgãos como a EMURB, COHAB e CDHU foram cruciais na implementação de projetos
habitacionais, trabalhando em colaboração com a sociedade civil em distritos como São
Miguel e Itaim Paulista. Paralelamente, políticas públicas visaram fornecer infraestrutura
básica para atender às novas demandas habitacionais. Ações da FDE e EDIF resultaram na
construção de escolas, hospitais e unidades de saúde, melhorando parcialmente a
infraestrutura local. No entanto, a tipologia arquitetônica de algumas escolas estaduais,
caracterizada por monoblocos cercados por muros extensos, criou um isolamento entre a
escola e seu entorno, impactando negativamente a comunidade. A pesquisa propõe investigar
como a escola pode atuar como um centro transformador do território, promovendo relações
diversas e gerando urbanidade. Sugere-se que as áreas contíguas aos edifícios escolares sejam
vistas como partes estruturantes do sistema de espaços livres, promovendo conexões entre a
escola e a comunidade.
A hipótese central é que, mesmo dentro de suas paredes físicas, a escola pode dissolver
barreiras e induzir transformações sociais e urbanas. Para testar essa hipótese, a metodologia
da pesquisa inclui visitas técnicas, Análise Walkthrough com alunos, questionários com a
população, entrevistas com a comunidade escolar e Mapeamento Visual. O estudo de caso é a
Escola Estadual de Ensino Integral Sd. PM. Eder Bernardes dos Santos, situada no Conjunto
Habitacional Encosta Norte, Itaim Paulista, zona leste de São Paulo. Escolhida por sua
relevância histórica, localização estratégica e arquitetura projetada por Décio Tozzi, a escola
exemplifica como a articulação entre a gestão escolar e agentes urbanos cria conexões com a
comunidade, apesar das barreiras arquitetônicas para proteger a integridade da comunidade
escolar. A pesquisa conclui que ações sociais que abrem e disponibilizam o sistema de
espaços livres das escolas para a comunidade podem aumentar o entrelaçamento entre escola
e sociedade. Além disso, enfatiza a importância de um movimento centrífugo, onde alunos
experienciam o território para promover princípios da cidade educadora. Em última análise, a
tese defende que a escola, através da colaboração entre gestão escolar, alunos e comunidade,
pode superar hierarquias institucionais e atuar significativamente no território, transformando
se em um agente central na promoção de urbanidade e inclusão social.