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Dados do Trabalhos de Conclusão

UNIVERSIDADE FEDERAL DO ACRE
LETRAS- LINGUAGEM E IDENTIDADE (11001011003P0)
(Auto)biografia educativa: tessituras da formação linguística de uma professora alfabetizadora
NAGILA MARIA SILVA OLIVEIRA
TESE
30/09/2024

Esta tese problematiza a formação linguística de professores alfabetizadores a partir de minha escrita (auto)biográfica. Os contextos de baixos índices de alfabetização no Brasil e a disputa por hegemonia política de divergentes paradigmas no campo da alfabetização, tomados como elementos de reflexão, colocam em evidência a necessidade de se (re)pensar os modos pelos quais a formação docente de professores alfabetizadores vem se configurando ao longo da história da educação brasileira. Ao tomar minhas memórias formativas e experiência docente enquanto objeto de estudo coloco em suspeição as ideias que tenho sobre alfabetização a partir das perguntas de pesquisa: I) Qual a percepção que tenho sobre minha formação linguística? II) Como construí os saberes linguísticos que aciono em meu fazer pedagógico? III) Como minhas experiências operam sobre a construção de meus saberes linguísticos? Para responder a essas problemáticas optamos pela metodologia de pesquisa-formação, na qual sou a própria fonte, através do método (auto)biográfico tomado como dispositivo de pesquisa e formação para ressignificar minha formação linguística por meio da articulação entre o narrado e o enunciado em pesquisas sobre alfabetização. Inspirada em Bragança (2012) produzi uma (auto)biografia educativa composta por duas narrativas, na primeira narro meus processos formativos e na segunda minha prática docente, em um recorte temporal de quinze anos. Quanto à fundamentação teórica, este trabalho apoia-se, em um olhar rizomático, nos conceitos de formação docente, regimes de verdade e genealogia de si, a partir de Morin (2005), Pineau (1988, 2006, 2010, 2014), Nóvoa (2010), Bragança (2012) e Foucault (1977; 2006; 2010; 2011; 2014) em diálogo com a historiografia da alfabetização de Mortatti (2000; 2010; 2016; 2019; 2023). Para as análises, fizemos a escolha pela abordagem interpretativista apresentada por Lopes (2019), para formular os entendimentos propostos no estudo. As reflexões (auto)biográficas permitiram a identificação/compreensão de que: a formação inicial não contemplou de forma satisfatória os saberes linguísticos necessários para alfabetizar; as demandas/contextos da sala de aula de alfabetização me direcionaram para um processo autoformativo em busca de ampliar meus conhecimentos linguísticos; a (re)construção dos conhecimentos linguísticos deu-se pela articulação entre os polos formativos (personalização, socialização e ecologização). Tais entendimentos, quando relacionados aos sentidos historicamente atribuídos à alfabetização, desvelam para mim que o paradigma construtivista agiu em minha ecoformação enquanto “regime de verdade” que, além de instaurar determinadas formas de ser alfabetizadora, também contribuiu para a pouca contemplação de minha formação linguística. Foram os processos autoformativos que privilegiaram a ampliação do conhecimento linguístico e me levaram à concepção de alfabetização enquanto processo multifacetado que requer, no fazer docente, a articulação entre os diferentes saberes e fazeres da alfabetização. A pesquisa evidencia a importância de uma formação linguística de qualidade para professores alfabetizadores e a necessidade de reconfigurar os currículos dos cursos de pedagogia e os programas de formação, para que melhor contemplem os conhecimentos linguísticos. A partir da reflexão (auto)biográfica, a tese aqui defendida é de que historicamente a formação docente dos professores alfabetizadores tem validado discursos científicos que além de fragmentar os saberes, pouco tem contemplado as reais necessidades formativas dos docentes, sobretudo a sua formação linguística, que é sucumbida por uma formação generalista/tecnicista que não reconhece/prioriza o professor alfabetizador, enquanto professor de língua materna, expondo-lhe a teoria e método do momento, validado em relações de poder que objetivam fabricar subjetividades docentes. Por fim, a escrita (auto)biográfica apresenta-se como uma possibilidade para outros professores alfabetizadores refletirem sobre a própria formação docente para reconfigurarem seus lugares de atuação profissional e ressignificarem seu agir professoral.

(Auto)biografia;Alfabetização;Formação docente;Saberes linguísticos;Regimes de verdade
This thesis problematizes the linguistic training of literacy teachers through my (auto)biographical writing. The contexts of low literacy rates in Brazil and the political hegemony dispute between divergent paradigms in the field of literacy highlight the need to rethink the ways in which the training of literacy teachers has been shaped throughout the history of Brazilian education. By taking my formative memories and teaching experience as the object of study, I question the ideas I hold about literacy through the research questions: I) What is my perception of my linguistic training? II) How did I construct the linguistic knowledge that I employ in my pedagogical practice? III) How do my experiences influence the construction of my linguistic knowledge? To address these issues, I chose a research-formation methodology, where I am the primary source, using the (auto)biographical method as a research and training device to reinterpret my linguistic training through the articulation between the narrated and the enunciated in literacy research. Inspired by Bragança (2012), I produced an educational (auto)biography composed of two narratives: the first narrating my formative processes and the second my teaching practice, over a fifteen-year period. The theoretical foundation of this work is supported, with a rhizomatic perspective, by the concepts of teacher training, regimes of truth, and genealogy of the self, from Morin (2005), Pineau (1988, 2006, 2010, 2014), Nóvoa (2010), Bragança (2012), and Foucault (1977; 2006; 2010; 2011; 2014) in dialogue with Mortatti's historiography of literacy (2000; 2010; 2016; 2019; 2023). For the analysis, I chose the interpretative approach presented by Lopes (2019) to formulate the understandings proposed in the study. The (auto)biographical reflections allowed the identification/comprehension that: the initial training did not satisfactorily cover the linguistic knowledge necessary for literacy teaching; the demands/contexts of the literacy classroom directed me towards a self-training process in search of expanding my linguistic knowledge; the (re)construction of linguistic knowledge occurred through the articulation between the formative poles (personalization, socialization, and ecologization). These understandings, when related to the historically attributed meanings of literacy, reveal that the constructivist paradigm acted in my eco-formation as a "regime of truth" that, in addition to establishing certain ways of being a literacy teacher, also contributed to the limited consideration of my linguistic training. It was the self-training processes that favored the expansion of linguistic knowledge and led me to conceive of literacy as a multifaceted process that requires, in teaching practice, the articulation between different literacies and practices. The research highlights the importance of quality linguistic training for literacy teachers and the need to reconfigure pedagogy curricula and training programs to better address linguistic knowledge. From the (auto)biographical reflection, the thesis argued here is that historically the training of literacy teachers has validated scientific discourses that, in addition to fragmenting knowledge, have poorly addressed the real training needs of teachers, especially their linguistic training, which is overshadowed by a generalist/technician training that does not recognize/prioritize the literacy teacher as a native language teacher, exposing them to the theory and method of the moment, validated in power relations that aim to shape teaching subjectivities. Finally, (auto)biographical writing presents itself as a possibility for other literacy teachers to reflect on their own training to reconfigure their professional roles and re-signify their teaching practice.
(Auto)biography;Literacy;Teacher training;Linguistic knowledge;Regimes of truth
1
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PORTUGUES
UNIVERSIDADE FEDERAL DO ACRE
O trabalho possui divulgação autorizada
(AUTO)BIOGRAFIA EDUCATIVA TESSITURAS DA FORMAÇÃO LINGUÍSTICA DE UMA PROFESSORA ALFABETIZADORA - Nagila Maria Silva Oliveira.pdf

Contexto

Linguagem e Cultura
LÍNGUA(GENS) E FORMAÇÃO DOCENTE
Gêneros discursivos que permeiam a formação docente no âmbito de línguas/linguagens: um enfoque no contexto amazônico

Banca Examinadora

PAULA TATIANA DA SILVA ANTUNES
DOCENTE - PERMANENTE
Sim
Nome Categoria
ANDREA RODRIGUES Participante Externo
FRANCISCO AQUINEI TIMOTEO QUEIROS Docente - PERMANENTE
FRANCIELLE MARIA MODESTO MENDES Docente - PERMANENTE
PAULA TATIANA DA SILVA ANTUNES Docente - PERMANENTE
SILMARA CRISTINA DELA DA SILVA Participante Externo

Vínculo

Servidor Público
Instituição de Ensino e Pesquisa
Ensino e Pesquisa
Sim
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