O presente trabalho apresenta como enfoque a formação de professores de Ciências
e Biologia acerca de temas pertinentes para o processo de ensino e aprendizagem
que dialogam com a Neurociência e a Educação. Buscou-se analisar o impacto de
uma intervenção formativa na concepção de professores sobre temas presentes na
interlocução entre Neurociências e Educação. No âmbito da pesquisa, ocorreram as
etapas de desenvolvimento, aplicação e análise de uma proposta de intervenção para
a formação continuada de Professores de Ciências e Biologia, sob a perspectiva da
interlocução entre Neurociências e Educação. Foram realizadas duas aplicações para
32 e 42 participantes, respectivamente, com duração de 30 horas, distribuídas em
atividades síncronas e assíncronas. Os temas abordados foram: neuroplasticidade;
aprendizagem; memória; atenção; motivação; emoção, estratégias educacionais
baseadas em evidências, fatores fisiológicos que afetam a aprendizagem, dentre
outros. Para a coleta de dados acerca da concepção dos participantes, foram
aplicados questionários, incluindo o questionário de neuromitos, e realizado um grupo
focal. Os dados analisados indicam que, apesar do interesse em Neurociências,
apenas 12 participantes, 5 na primeira e 7 na segunda aplicação, relataram já ter
realizado formações sobre o tema. Quanto ao desempenho no questionário de
neuromitos, as duas turmas de participantes apresentaram resultados similares, antes
e após a formação. De acordo com a concepção dos participantes, a formação
apresentou pontos positivos relacionados ao material instrucional, às atividades, à
forma de acompanhamento, à avaliação e ao grau de motivação. Como pontos
negativos, foram apontados a modalidade da formação, realizada de maneira remota,
e a relação entre tempo e conteúdo. A autoavaliação média, em uma escala de 1 a 5,
em que 1 equivale a “nada satisfatório” e 5 corresponde a “muito satisfatório”, do
conhecimento acerca de temas na interlocução entre Neurociências e Educação,
utilizada como indicador de autoeficácia, foi de 1,90 para 3,83 na primeira aplicação e
de 2,21 para 3,92 na segunda aplicação, nos momentos pré e pós formação,
respectivamente. Os dados coletados demonstraram que a exposição de curta
duração dos temas pertinentes à aprendizagem, na perspectiva da interlocução entre
Neurociências e Educação, não foi suficiente para reduzir, de maneira significativa, a
incidência da crença em neuromitos entre os participantes do estudo. Entretanto, a
utilização desses conhecimentos para a escolha dos temas e estratégias
implementadas na própria proposta de formação foi percebida de forma positiva pelos
participantes. Todos os participantes demonstraram interesse em repensar o
planejamento de sua prática pedagógica à luz dos novos aprendizados. A partir dos
dados obtidos, considera-se necessário refletir e essencial propor modificações na
formação de professores para que a interlocução entre Neurociência e Educação se
torne uma pauta central nas discussões e decisões sobre os currículos de licenciatura.