Introdução: A pandemia de covid-19 impactou os sistemas de saúde em todo o mundo, incluindo o Brasil. No município do Rio de Janeiro, a Atenção Primária à Saúde (APS) desempenha um papel essencial no cuidado às gestantes e puérperas. A prática colaborativa interprofissional, especialmente entre enfermeiras e médicos, é importante para promover a continuidade e a qualidade do atendimento nesse contexto. Objetivos: este estudo analisa os desafios na APS para a colaboração interprofissional e suas implicações para a continuidade do cuidado integral à gestante e puérpera durante a pandemia de covid-19 na cidade do Rio de Janeiro. Metodologia: A pesquisa utilizou um método misto em três etapas: 1) Revisão integrativa da literatura sobre colaboração interprofissional na APS; 2) Análise de indicadores de desempenho e produção de serviços relacionados ao cuidado pré-natal e puerpério, do município do Rio de Janeiro, entre 2018 e 2023 e 3) Entrevistas semiestruturadas com enfermeiras da Estratégia Saúde da Família (ESF) para compreender a partilha de tarefas e colaboração entre médicos e enfermeiras. Resultados: A revisão da literatura revelou que a colaboração interprofissional na APS é influenciada por diversos fatores, incluindo: visão comum sobre a colaboração interprofissional, competências para o trabalho interprofissional, clareza sobre o escopo e funções dos profissionais, organização dos sistemas e serviços de saúde, comunicação e infraestrutura. A análise dos indicadores de saúde e produção de serviços no município demonstrou uma redução significativa do acesso ao pré-natal e puerpério durante a pandemia, com impacto na manutenção do acompanhamento das gestantes e puérperas. As entrevistas com enfermeiras das equipes da Estratégia Saúde da Família, revelaram adaptações na organização do trabalho para garantir a continuidade do cuidado. Essas adaptações provocaram um desequilíbrio na divisão de tarefas entre médicos e enfermeiras, resultando em sobrecarga para as enfermeiras e em uma atuação menos abrangente dos médicos no cuidado pré-natal e puerpério. Não obstante, observaram-se práticas colaborativas, sendo a interconsulta a estratégia mais prevalente de colaboração interprofissional. Discussão: A pandemia de covid-19 evidenciou a importância da colaboração interprofissional com protagonismo das enfermeiras na APS para garantir a continuidade do cuidado às gestantes e puérperas. Foi necessária uma reorganização do trabalho e a criação de novas estratégias adaptadas à realidade da pandemia, incluindo o uso de tecnologias para comunicação remota, fundamental para minimizar os impactos desse período. A gestão da APS, o feedback construtivo, a comunicação interprofissional e o investimento na educação permanente foram apontados como fatores importantes para fortalecer o trabalho interprofissional e a qualidade do cuidado. Considerações finais: Durante a pandemia, as enfermeiras desempenharam um papel essencial na manutenção do cuidado pré-natal e puerpério, assumindo responsabilidades ampliadas e adaptando suas práticas para garantir a segurança dos pacientes. A pesquisa ressalta a importância da atuação da enfermeira na APS e enfatiza a necessidade de valorizar e fortalecer a autonomia das enfermeiras, registrando seu protagonismo nesse processo. O fortalecimento da APS exige investimentos em infraestrutura, ampliação de recursos humanos, educação permanente e implementação de modelos de gestão que incentivem o trabalho interprofissional e uma divisão equilibrada de tarefas, garantindo a autonomia das enfermeiras e promovendo uma comunicação efetiva entre os membros da equipe.