O pensamento nietzschiano da fase de amadurecimento, se coloca como uma
filosofia da transvaloração dos valores morais. A necessidade desta transvaloração
decorre da constatação expressa por Nietzsche na sentença a “Morte de Deus”, que não
deve ser vista apenas como uma crítica às religiões, mas que diz respeito à perda dos
valores e dos sentidos que conduzem à vida e à realidade. A transvaloração para o
filósofo é a proposta de superar o sistema moral da sua época e seus valores. Assim, a
transvaloração dos valores é um processo de transformação dos valores morais
tradicionais em novos valores, que são criados a partir da negação dos valores antigos e
que devem ser mais autênticos e afirmativos da vida. Deste modo, o proposto, como
sendo a tarefa da filosofia nietzschiana, é se colocar como agente dessa transvaloração.
Para além disso, Nietzsche vislumbra no pensamento do eterno retorno do mesmo uma
nova medida de valor para realizar a tentativa de transvaloração de todos os valores,
uma vez que, o eterno retorno afirma que tudo o que existe retorna eternamente,
incluindo os valores morais, portanto, o eterno retorno é uma possibilidade de
renovação constante dos valores morais. É neste contexto, que devemos compreender o
tema do Amor Fati, na filosofia nietzschiana, como a possibilidade de se viver uma vida
autêntica, onde os seus esforços não estarão em buscar a modificação da realidade em
que se vive, impondo lhe uma moralidade, mas em aceitá-la e querê-la da maneira como
ela se apresenta, isso porque Amor Fati é a atitude de amar e aceitar tudo o que
acontece, incluindo os aspectos mais difíceis, e encontrar significado e valor em todas
as experiências mesmo as vividos novamente pelo eterno retorno, o que implica uma
aceitação plena da realidade. Outro conceito importante, na obra do autor, é o da
redenção, no qual se percebe que a cura, segundo Nietzsche, vem do modo de vida e
não de questões externas ao homem. Esse conceito para o autor está ligado a libertação
do ódio e a dissolução da má-consciência, que pode ser alcançada através da
transvaloração de todos os valores e da aceitação amorosa do eterno retorno. Nesse
contexto, o filosofo apresenta como a verdadeira redenção o Amor Fati, ou seja, a
aceitação amorosa do próprio destino livre de todo o ódio e má consciência. Diante
disso, o objetivo geral da nossa pesquisa é analisar a relação entre os conceitos de
redenção e de Amor Fati na obra de Nietzsche e conferir se há a necessidade do Amor
Fati na consumação da redenção.