Nas últimas décadas, houve uma crescente demanda por informações acerca da distribuição
espacial de propriedades e classes de solos, com isso, foram desenvolvidas técnicas
computacionais mais modernas chamado de Mapeamento Digital de Solos. O objetivo geral
deste trabalho foi estimar a variabilidade espacial das propriedades do solo: areia e argila do
município com uso de krigagem ordinária, e correlacionar com variáveis ambientais de forma
a auxiliar a interpretação dos mapas gerados. A área de estudo corresponde ao município de
Bom Jardim, RJ. Para compor o banco de dados de solos, foram utilizados 209 perfis de solo,
coletadas conforme o SiBCS, no total de 603 amostras. O modelo digital de elevação (MDE)
foi gerado para representar a altimetria da área de estudo e, posteriormente, foram extraídos
os atributos básicos do terreno: declividade, altura da declividade, aspecto, índice de
profundidade de vale, índice de umidade topográfico e fator - LS. Buscando atingir o objetivo
do presente estudo foram obtidas imagens orbitais do sensor Multispectral Instrument (MSI),
instalado a bordo do satélite Sentinel-2B. O software livre QGIS 3.10.4 foi utilizado para préprocessamento das imagens, processamento do NDVI (Índice de Vegetação da Diferença
Normalizada), SAVI (Índice de Vegetação Ajustado ao Solo), Clay Minerals Ratio (CM), Iron
Oxide Ratio (IO), e as banda de 1 a 12 para serem utilizados como covariáveis derivadas de
sensoriamento remoto. Os procedimentos estatísticos para analisar os dados e implementar as
funções de profundidade do solo foram feitos no programa de livre acesso R, através do
pacote Algoritmos para Pedologia Quantitativa (AQP). Com relação a estatística básica do
conjunto de dados, para identificação de outliers, fez-se o uso de boxplots. Para determinação
da normalidade dos dados, aplicou o teste de Kolmogorov-Smirnov, ao nível de 5% de
probabilidade. Após a análise estatística, realizou-se a análise geoestatística dos dados. A
modelagem do semivariograma experimental seguiu os princípios estabelecidos pela hipótese
intrínseca. Após a modelagem dos semivariogramas, fez-se uso da técnica krigagem ordinária
(KO) para a interpolação de valores em locais não mostrados. Conclui-se que, as covariáveis
de terreno derivadas do modelo digital de elevação podem representar os fatores formadores
do solo, bem como para estabelecer áreas de aptidão agrícola em áreas montanhosas, como
Bom Jardim - RJ. Todas as propriedades do solo apresentaram estrutura de dependência
espacial e se ajustaram melhor ao modelo esférico. A espacialização das propriedades do solo
na área de estudo mostrou-se muito eficiente na compreensão da variabilidade espacial com o
uso da Krigagem Ordinária.