As doenças tropicais negligenciadas (DTNs) são enfermidades infecciosas
que afetam sobretudo, populações em regiões tropicais, caracterizadas pela pobreza e
falta de infraestrutura sanitária. Objetivo: analisar o impacto das DTNs na população
negra com foco nos determinantes sociais da saúde que amplificam sua vulnerabilidade a
essas enfermidades. Material e métodos: trata-se de um estudo epidemiológico do tipo
ecológico, foram analisados os óbitos associados a 17 DNTs no Brasil entre 2012 e 2022,
abrangendo 27 unidades federativas e 5 macroregiões. Os dados foram extraídos do
Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) do Departamento de Informática do
Sistema Único de Saúde (DATASUS) considerando variáveis como CID-10, ano e mês
do óbito, macrorregião, unidade federativa, sexo, grupo etário e raça/cor. As taxas de
mortalidade foram calculadas com base no Censo 2022 do IBGE. Análises descritivas
usaram frequências absolutas, percentuais e médias com desvio padrão. O Teste Quiquadrado avaliou associações e frequências entre faixa etária, raça/cor, e a Análise de
Correspondência gerou mapas perceptuais. O nível de significância adotado foi de 5%
com análises realizadas no software JAMOVI. Resultados: Entre 2012 e 2022, foram
registrados 63.371 óbitos por DTNs no Brasil, com a doença de Chagas sendo a principal
causa (48.205 óbitos), seguida pela esquistossomose (5.248) e dengue (3.975). Não houve
registros de óbitos por úlcera de Buruli, fasciolose, oncocercose, tracoma e bouba. A
maioria das vítimas era do sexo masculino (54,5%) e tinha 60 anos ou mais (71,2%). Em
relação à raça/cor, 44,4% eram pardos, 37% brancos e 11,6% pretos. Observou-se que
pessoas pardas e pretas faleceram em idades mais jovens, enquanto a maioria dos brancos
morreu com 60 anos ou mais. Conclusão: A população negra, embora compartilhe o
mesmo espaço e tenha demandas de saúde semelhantes às da população branca, enfrenta
uma mortalidade precoce associada a doenças negligenciadas tropicais.