A exposição mercurial é uma realidade na região amazônica, e a sua população está exposta de forma crônica, sendo que alguns grupos populacionais são considerados de risco para essa exposição, como é o caso das gestantes, devido a possibilidade de transmissão nos níveis de mercúrio para o feto. Níveis altos de exposição mercurial podem trazer danos a todos os sistemas corporais, principalmente ao sistema nervoso central, causando sintomas como tremor, alteração de coordenação motora, fraqueza muscular, entre outros. Com isso o objetivo deste estudo é realizar avaliação sensitiva e motora em gestantes moradoras da zona urbana de Santarém, que estão expostas ao mercúrio (Hg). O estudo foi realizado em seis Unidades Básicas de Saúde (UBS), onde foi avaliado o nível de Hg através do biomarcador sanguíneo, assim como realizado exame físico e aplicação de testes para avaliação de equilíbrio,
sensibilidade, coordenação motora e teste cognitivo. Após análise dos resultados foi possível observar que das 63 gestantes avaliadas, 31,7% são consideradas com alta exposição, os níveis de Hg no total variaram de 0 à 24,95 μg/L; sendo os níveis de Hg médio das gestantes foi de 3,24 μg/L (± 3,94), e mediana de 1,68 μg/L. Dentre as gestantes consideradas com alta exposição apenas os testes Romberg sensibilizado, sensibilidade superficial e profunda, tremor clínico e Miniexame de estado mental (MEEM), apresentaram-se alterados, não sendo possível correlacionar somente com
a exposição mercurial, pois é necessário considerar os fatores fisiológicos e biomecânicos do processo gestacional. Sendo assim é possível concluir que o processo gestacional, histórico de saúde e outros fatores também podem contribuir para que essas alterações sejam identificadas no exame físico. São necessários estudos longitudinais com o objetivo de acompanhar o processo gestacional e as condições de saúde fetal, a fim de prevenir futuras complicações, visto que o estudo atual apresenta um retrato transversal do atual momento gestacional.