O aquecimento global aumentou a urgência de encontrar soluções para reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) causadas pela atividade humana. No Brasil, a agropecuária e o uso da terra, incluindo mudança de uso da terra e desmatamento para expansão da agropecuária, contribuem significativamente para essas emissões. Isso ocorre devido à fermentação entérica e ao desmatamento para abrir novas áreas. Como resposta a esse desafio, surgiram iniciativas, como a negociação de créditos de carbono, incentivando práticas que reduzem as emissões de GEE. Nesse contexto, é importante avaliar a possibilidade de envolvimento de propriedades orgânicas, uma vez que suas atividades são reconhecidas como de baixo carbono, especialmente devido ao uso de insumos orgânicos. Contudo, para participar da negociação de créditos de carbono, é necessário obter certificação por meio de auditorias com metodologias específicas para calcular os balanços de gases de efeito estufa nas propriedades. O objetivo deste estudo foi analisar a viabilidade técnica de um projeto de crédito de carbono na Fazendinha Agroecológica Km 47 em Seropédica – RJ, utilizando as metodologias Agriculture Land Management (ALM) e Afforestation, Reforestation, Revegetation (ARR) do padrão Verified Carbon Standard (VCS Standard). O estudo foi dividido em cinco etapas: elegibilidade, avaliação do cenário de linha de base, adicionalidade, viabilidade financeira e contribuições sobre as oportunidades e obstáculos para a participação de produtores orgânicos no mercado de carbono. Os resultados indicaram que a Fazendinha Agroecológica é elegível para o desenvolvimento de um projeto de crédito de carbono, pois atende ao critério de não desmatamento em suas áreas nos últimos 10 anos. Quanto ao cenário de linha de base, o balanço de gases de efeito estufa da Fazendinha apresenta uma média anual de 41 tCO2e em emissões, com maior contribuição de emissões da pecuária através da fermentação entérica (15 tCO2e) e as emissões da pastagem (15 tCO2e). Dessa forma, há possibilidade de geração de créditos na Fazendinha, se forem implementadas tecnologias que reduzam as emissões ou sequestrem de carbono da atmosfera, como os sistemas de integração lavoura-pecuária (ILP) ou lavoura-pecuária-floresta (ILPF) na pecuária, e os sistemas agroflorestais (SAF) na produção agrícola, que apresentam adicionalidade em relação às metodologias, e possibilitam um cenário de baixo carbono. Porém, o alto custo da auditoria pode ser um obstáculo, indicando a necessidade de agrupar propriedades em um único projeto para torná-lo mais viável. Assim, conclui-se que tecnicamente é possível desenvolver um projeto de crédito de carbono para propriedades orgânicas, mas vale expandir a análise para outros padrões de certificação de créditos de carbono, além do VCS Standard, buscando um custo menor de auditoria e certificação. Além disso, pensando na expansão da participação das propriedades orgânicas na agenda climática é fundamental criar políticas públicas de adaptação climática para facilitar o acesso a recursos financeiros e mecanismos de compensação, que possam promover o acesso da resiliência climática nessas propriedades