A candidíase vulvovaginal é uma infecção fúngica causada por espécies do gênero
Candida, com alta prevalência entre as mulheres. A resistência aos antifúngicos
convencionais e os efeitos colaterais associados a esses medicamentos destacam a constante
necessidade de se buscar alternativas terapêuticas eficientes e seguras. O óleo essencial de
Pectis elongata (OEPe), rico em citral, apresenta atividade antimicrobiana conhecida. No
entanto, a incorporação de óleos essenciais em formulações farmacêuticas enfrenta desafios,
devido à volatilidade e solubilidade. Desta forma, o trabalho teve como objetivo desenvolver
um creme vaginal fitoterápico do tipo líquido cristalino baseado em manteiga de murumuru
(Astrocaryum murumuru) contendo OEPe, para o tratamento de candidíase vulvovaginal. Para
isso, o óleo foi obtido por hidrodestilação e analisado via Cromatografia Gasosa acoplada à
Espectrometria de Massas (CGEM), com rendimento de 1,5% e predominância de citral (neral
e geranial). A atividade antifúngica do óleo contra C. albicans, C. parapsilosis e C. tropicalis,
foi avaliada por métodos de Disco de Difusão, revelando zonas de inibição maiores que 40
mm frente a todos os microrganismos ensaiados; e microdiluição em caldo com concentração
inibitória mínima (CIM) de 0,62, 0,15 e 0,31, e concentração fungicida mínima (CFM) de
1,25, 0,31 e 1,25, respectivamente. Foram desenvolvidas 4 (quatro) formulações com
diferentes concentrações (2, 4, 8 e 10%) de óleo essencial (OE). Após 24 horas do preparo, as
formulações foram analisadas utilizando a microscopia de luz polarizada para caracterizar a
fase líquido-cristalina, onde não houve desestruturação da fase hexagonal. No estudo de
estabilidade preliminar, em diferentes condições de armazenamento por período de 30 dias
consecutivos, as características organolépticas das formulações armazenadas em temperatura
ambiente (25±2ºC) ou refrigeradas (5±2ºC) mantiveram cor e odor inalterados, porém
apresentaram leve alteração na consistência quando refrigeradas. Já em temperaturas de estufa
(45±2ºC), mudaram de estado semissólido para líquido e a cor tornou-se mais intensa. O pH
da formulação base foi determinada em 5,3±0,4, enquanto para a formulação OEPe a 10% os
valores de pH foram determinados em 5,0±0,6. Na identificação da composição química do
OE incorporado nas formulações analisada por CGEM houve redução nos percentuais de
citral, com valores entre 2 e 1,5 vezes inferiores. A atividade antifúngica das formulações foi
avaliada pelo teste de difusão em poços, onde a formulação contendo OEPe a 10%, mostrou
melhor eficácia antifúngica em comparação as concentrações mais baixas para as três cepas
testadas. A pesquisa destaca a importância das formulações líquido-cristalinas, destacando a
escolha de matérias-primas naturais, como o OEPe e a manteiga vegetal de murumuru, para promover alternativa viável e promissora para o tratamento da candidíase vulvovaginal, incentivando busca por soluções fitoterápicas em resposta à resistência medicamentosa e o desenvolvimento terapêutico seguro e eficazes contra infecções fúngicas