A seca é amplamente reconhecida como um dos estresses abióticos mais impactantes para as plantas, afetando processos fisiológicos essenciais como a fotossíntese, a respiração e o metabolismo celular, o que, por sua vez, compromete o crescimento e a produtividade das culturas. Como organismos sésseis, as plantas desenvolveram mecanismos de adaptação que lhes permitem tolerar condições adversas, modulando a expressão de genes que codificam para proteínas cruciais para a sobrevivência sob estresse hídrico. Entre esses mecanismos, estão a regulação estomática, a manutenção da integridade celular e a eficiência no uso da água. Nesse contexto, há genes que ainda não tem sua função caracterizada e surge a necessidade de entender sobre eles, sendo o objetivo dessa pesquisa, identificar e caracterizar genes diferencialmente expressos em resposta à seca, com foco especial no gene do Elongation Factor 2 (OsEF2), para entender seu papel na tolerância à seca em plantas de arroz. Seguindo a hipótese de que o gene OsEF2 está envolvido na tolerância à seca em plantas, no laboratório de Nutrição Mineral de Plantas (LNMP) da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), foram obtidas linhagens de arroz transformadas. Linhagens foram selecionadas quanto a superexpressão com promotor da ubiquitina 1 do milho (UBQ1) e nocaute por meio de tecnologia CRISPR/Cas9. Para os experimentos foram utilizadas linhagens F2 de plantas de arroz. Após isso, através de tratamento de suspensão de água e um controle, com 8 repetições cada, as unidades experimentais (nocaute, EF15, EF18 e EF19 e WT) foram submetidas à seca e avaliadas ao decorrer de três semanas quanto a evapotranspiração, aspectos de desenvolvimento, cor e fluorescência da clorofila. Em capacidade de campo entre 15% e 10%, foram avaliadas quanto a integridade do fotossistema e reidratadas para uma posterior análise de produtividade e desenvolvimento final de plantas. Foram feitos experimentos complementares das linhagens de plantas submetidas a polietilenoglicol (PEG) para análise de extravasamento de eletrólitos, teor relativo de água e aspectos morfológicos das raízes. Após suspensão de água, as plantas OsEF2 demandaram menos água para o desenvolvimento e apresentaram menor padrão de senescência através da segmentação de cores; também apresentaram centros de reação fotoquimicamente ativos e indícios de melhor eficiência de uso de CO2. Em seca, as plantas OsEF2 também apresentaram melhor regulação da temperatura da folha e integridade da clorofila, além de maior síntese de ATP de cloroplastos do que as plantas WT. O nocaute do gene OsEF2 não permitiu avaliações aprofundadas pois gerou plantas raquíticas com taxa de abortamento quase 100%. O gene Elongation Factor 2 apresenta estratégia de tolerância à seca por permitir que as plantas tenham melhor eficiência de uso de água, permitindo melhor integridade e atividade do fotossistema das plantas após suspensão de água.