A Base Nacional Comum Curricular estabelece a evolução como eixo integrador
e organizador do ensino de biologia. No entanto, percebe-se um baixo grau de
concordância com os conceitos evolutivos, principalmente quanto à
ancestralidade comum das espécies, onde, aproximadamente, 50% da
população adulta rejeita a origem, a partir de um ancestral comum, dos humanos
e outros primatas. Ao detalhar esse dado, observa-se que há maior discordância,
com esses conceitos, entre indivíduos que concluíram o ensino médio, indicando
a necessidade de novas estratégias no processo de ensino-aprendizagem de
evolução biológica nos anos finais da educação básica. Diante deste cenário,
este projeto teve como objetivo desenvolver o RPG Darwiniana para ser utilizado
como uma ferramenta didática imersiva nos anos finais da educação básica,
sendo submetido e aprovado pelo comitê de ética (CAAE:
56032521.0.0000.5257). Para tal propósito, realizou-se uma revisão sistemática
da literatura, a fim de levantar as intervenções com RPG na educação brasileira
entre os anos de 2003 e 2023. Foram analisadas 4 bases de dados (Periódicos
CAPES; ABCD Portal de Busca Integrada da USP; SciELO; e Redalyc),
resultando em 129 artigos elegíveis, dos quais 18 foram inclusos na revisão após
os filtros do fluxograma PRISMA. Desse conjunto de publicações foram
identificados 9 artigos destinados à educação básica, porém, entre eles, não
houve relato de intervenção com RPG no processo de ensino-aprendizagem de
evolução biológica. Também, desenvolveu-se o game design do RPG
Darwiniana, o roteiro da campanha a “A Origem” e a diagramação dos e-books
destinados a professores e alunos. Posteriormente, validou-se o jogo com um
grupo de professores de Biologia/Ciências e jogadores de RPG, em uma sessão
teste, de acordo com a metodologia de análise SWOT, onde se identificaram as
forças (criatividade; narrativa; ludicidade; engajamento; estimulo a pesquisa; e
socialização) e oportunidades (aplicação em sala; fora da sala de aula; e aplicar
a BNCC), bem como as fraquezas (tempo de execução do jogo; e falta de
informações para os pontos de vida) e ameaças (tempo de preparação para a
aplicação; embate com crenças religiosas dos alunos; e muitos jogadores para
um único personagem) do material, para que fossem minimizadas antes de sua
aplicação nas escolas. Por fim, a aplicabilidade e jogabilidade foram avaliadas
por alunos do ensino médio, mediante a aplicação de questionários estruturados
pré e pós jogo (os questionários foram validados de acordo com o método
Delphi). Antes da aplicação do jogo, foi possível diagnosticar uma tendência de
neutralidade no grau de concordância dos alunos com os itens avaliados nas
dimensões ANCESTRALIDADE COMUM DAS ESPÉCIES, VARIABILIDADE
GENÉTICA e SELEÇÃO NATURAL. Após a aplicação, houve um discreto
afastamento dessa tendência, indicando um aumento da compreensão dos
conceitos abordados no game design e game feel. Além disso, pôde-se constatar
uma boa aceitação do material e sua dinâmica em sala de aula, assim como sua
função facilitadora para abordar o tema evolução em ambientes formais de
educação. Sendo assim, pode-se concluir que o RPG Darwiniana se configura
como ferramenta didática promissora, podendo-se expandir seu universo
narrativo para abordar novos conceitos.