Hymenaea martiana Hayne é uma espécie pertencente à família Fabaceae, usada na medicina popular, principalmente na região do semiárido (Caatinga), para fins analgésicos e anti-inflamatórios. A partir do material vegetal coletado foi obtido o extrato etanólico bruto (Hm-EtOH) e as frações hexânica (Hm-Hex), clorofórmica (Hm-CHCl3) e acetato de etila (Hm-AcOEt), que foram submetidos a estudos fitoquímicos e a avaliação de atividades biológicas. Os experimentos in vitro forneceram dados sobre os teores de fenóis totais, flavonoides totais e potencial antioxidante do extrato e das frações, além do potencial citotóxico e antibacteriano. Nos experimentos in vivo, foram avaliados o potencial antitumoral, antinociceptivo (teste de contorções abdominais induzidas por ácido acético, teste da formalina e teste da placa quente), antiedematogênico (edema de pata), anti-inflamatório (migração de leucócitos para a cavidade peritoneal induzida por carragenina), verificação de interferência na coordenação motora, e ainda, estudo toxicológico. Para tanto, foram utilizados camundongos Swiss machos e fêmeas (n=6 por grupo, 25-35 g). Somente Hm-EtOH e Hm-AcOEt foram usados nos experimentos in vivo, por terem apresentado maiores teores de fenóis totais, flavonoides totais e melhor atividade antioxidante. Nesse contexto, Hm-EtOH e Hm-AcOEt foram submetidos à HPLC-DAD e compostos presentes na amostra apresentaram características típicas para derivados de flavonoides. Posteriormente, Hm-AcOEt foi submetido à HPLC-DAD-EM e a presença de flavonoides no extrato foi confirmada, sugerindo tratar-se de neoastilbina, astilbina, isoastilbina e engelitina. Dentre os resultados obtidos para a determinação da CIM e CBM do extrato e frações, Hm-EtOH e Hm-Hex apresentaram forte atividade frente às bactérias Gram-positivas Bacillus cereus e Enterococcus faecalis. Na avaliação da atividade citotóxica, todas as amostras testes mostraram inibição da proliferação celular através do método MTS, com melhores resultados para Hm-EtOH e Hm-AcOEt, que apresentaram inibição de 92,56% e 88,98%, respectivamente. A análise da avaliação in vivo demonstrou diminuição do volume tumoral após o tratamento com as amostras teste. Quando comparado ao grupo controle negativo, as doses de 25, 50 e 100 mg/Kg de Hm-EtOH e de Hm-AcOEt diminuíram o volume tumoral em 88,33; 94,62 e 87,10% e em 67,22; 85,00 e 87,93% respectivamente. Esses resultados corroboram os resultados encontrados na atividade citotóxica. No teste de contorções abdominais, as amostras induziram inibição significativa (*p<0,05). No teste da formalina, as duas amostras teste foram ativas nas duas fases. Entretanto, na fase inflamatória o efeito foi mais pronunciado. No teste da placa quente, as duas amostras aumentaram de maneira significativa o tempo de permanência do animal sobre a placa aquecida, entretanto não tiveram seus efeitos revertidos quando administrados juntamente com a naloxona. Em relação à avaliação da atividade anti-inflamatória, Hm-EtOH e Hm-AcOEt apresentaram efeito antiedematogênico e reduziram de forma significativa (p<0,05) a migração de leucócitos para a cavidade peritoneal. Este estudo mostrou que Hm-EtOH e Hm-AcOEt possuem atividade antitumoral, antinociceptiva e anti-inflamatória, além de não apresentarem alteração na capacidade motora. Porém, o mecanismo exato pelo qual exercem esse efeito ainda está sendo elucidado. Através do ensaio de toxicidade, a DL50 de Hm-EtOH foi estimada como > 2000 mg/Kg e a DL50 de Hm-AcOEt entre 600 mg/Kg e 800 mg/Kg, quando administrados por via intraperitoneal. Adicionalmente, outros estudos de toxicidade devem ser feitos com o intuito de melhor caracterizar o perfil de segurança das amostras.