As orientações constantes nos manuais didáticos e a formação de professores nas escolas normais paranaenses entre 1920 e 1960 são os objetos centrais desta pesquisa, que analisa como o conteúdo dos manuais em circulação e seu uso nestas escolas foi se constituindo e sendo constituído ao longo do tempo, composto ou forjado em meio ao universo político, econômico, social e educacional, orientando a formação de professores.A pesquisa histórica de natureza documental utilizou como fontes as Mensagens, Relatórios, Leis e Decretos referentes à instrução/educação pública e Escola Normal bem como livros (manuais). Observamos nesta documentação que os dirigentes do Estado e os responsáveis pela instrução/educação defendiam as reformas educacionais tanto no ensino primário quanto na escola normal como mecanismos para solucionar os problemas do ensino, realizado por professores cuja formação estava restrita ao conhecimento das noções elementares do ensino primário, e que os manuais didáticos tornaram-se material importante na organização da escola normal, bem como na atuação dos professores na escola primária. A tese apresentada está sustentada na ideia de que, até a década de 1950, os manuais apresentavam configuração de instrução e orientações pedagógicas. Preocupavam-se em expor, ainda que resumidamente, questões gerais da escola, da educação da criança e do ensino. A dificuldade na formação de professores, especialmente no interior do Estado, fez com que houvesse manuais mais voltados a orientações didáticas e com a exposição dos conteúdos a serem ensinados na escola primária. Esses manuais transitavam na escola normal e como material de apoio do professor primário. A carência de material e a necessidade de instrumentalizar o professor em sala de aula levaram o poder público a elaborar e a editar materiais com características de orientação e prescrição ao professor em exercício, que se tornaram quase indispensáveis nas décadas de 1960-1970, e que também circulavam nas aulas de Prática de Ensino. Nesta perspectiva, o material de apoio do professor foi se adaptando às circunstâncias e necessidades tanto dos professores da escola primária quanto da escola normal. O manual, antes pensado como material para formação do professor, sustentado pela necessidade de conhecimentos pedagógicos, didáticose sobre a educação,passou a ser um guia de como ensinar e o que ensinar, configurando-se muito mais em o que ensinar. Os manuais de Prática de Ensino foram sendo adaptados conforme as perspectivas de formação do professor e as aulas de Prática de Ensino se ocuparam em garantir os conhecimentos necessários para que o professor ensinasse na escola primária. Os manuais traziam intencionalidade no sentido de orientar o trabalho do professor, seguiam uma estrutura semelhante e foram produzidos atendendo à necessidade do poder público e dos professores, considerando que, em algumas regiões do Estado, era um dos únicos impressos que promovia o acesso a orientações e informações pedagógicas. Os manuais difundiamuma cultura pedagógica que marcou a formação e atuação dos professores ao focalizarem as práticas escolares necessárias ou adequadas ao ensino.