O debate sobre responsabilidade social e sustentabilidade, vem inserindo cada vez mais esses temas na agenda das empresas. O setor da construção civil também busca se integrar a esse movimento, embora mais recentemente e de forma lenta. Um dos pressupostos desses temas é que a organização considere outras perspectivas além daquela restrita ao negócio. Para isso, precisa identificar os atores que podem afetar ou ser afetados pelas suas atividades e decisões e dialogar com eles. O engajamento de stakeholders vem sendo apontado como fator relevante para que as empresas conheçam e tratem seus impactos econômicos, sociais e ambientais. Entretanto, a gestão de stakeholders ainda é prática pouco comum entre as empresas de construção civil no Brasil. Colocá-la em pleno funcionamento envolve desafios, especialmente para o subsetor de construção de edifícios, que é baseado em projetos, o que dificulta a consolidação e difusão de aprendizado e boas práticas. Constata-se também a baixa disponibilidade, na literatura, de modelos e orientações para essa finalidade, adaptados ao setor. Esta pesquisa visa suprir tal lacuna, propondo o Modelo de Gestão de stakeholders em Empresas de Construção Civil, formado pelo Componente 1, constituído pelo desenho do modelo (dimensão conceitual e dinâmica de funcionamento) e o Componente 2, contendo prescrições para coloca-lo em prática. Apresenta as seguintes Dimensões: 1- Identificar Stakeholders e Temas de Sustentabilidade; 2 - Priorizar Stakeholders e Temas de Sustentabilidade; 3 - Estabelecer e Implementar Processo de Engajamento de Stakeholders; 4 - Gerenciar o Aprendizado e Integrar os Resultados do Engajamento à Estratégia e à Governança. Seu foco é o diálogo e engajamento com stakeholders em nível estratégico e de governança (ambiente corporativo), assim como dos empreendimentos, em nível tático e operacional (projetos). A base da metodologia envolve: a) revisão de literatura sobre gestão de stakeholders, em especial na construção civil; b) iniciativas e ferramentas (Série AA1000, Norma ISO 26000 e Diretrizes GRI); e c) pesquisa empírica junto a especialistas, incluindo profissionais da construção civil, com a aplicação de questionários. A parte quantitativa da metodologia abrange a análise estatística dos dados, usando-se médias e erros padrão e o método Lawshe. A qualitativa envolve a análise de literatura e das respostas às perguntas abertas dos questionários. As constatações do estudo da literatura sobre gestão de stakeholders incluem: o foco tem sido nos projetos; o espectro de stakeholders está, em geral, restrito à execução do projeto, sendo rara a abordagem corporativa; tendência a tratar esses atores de forma instrumental; foco nas questões ambientais. O modelo apresenta contribuição relevante para os estudos acadêmicos, bem como para potencializar os resultados positivos dos projetos de edificações. Também pode ajudar a minimizar os riscos da desconexão entre objetivos corporativos e expectativas e necessidades dos stakeholders das empresas e de seus projetos. Assim, as construtoras podem conhecer e corresponder às exigências de clientes, equipes de projeto, populações da área de influência, financiadores, órgãos públicos, sociedade civil e sociedade em geral, no sentido de adequar seu negócio às demandas por melhor qualidade de vida nas cidades.