Esta dissertação fornece o resultado do projeto de pesquisa ASPECTOS LEXICAIS DE ICURIÃ (ACRE): uma contribuição para o nome das árvores do Seringal, cujo objetivo é contribuir com os estudos lexicais do Brasil e do Estado do Acre, em particular, através da descrição e registro do nome de árvores existentes no seringal Icuriã e de suas variações. A pesquisa fundamenta-se nos postulados teóricos da Lexicologia e da Lexicografia, tendo o levantamento lexical como ponto fundamental deste estudo. Tem como informantes 120 moradores do seringal Icuriã, homens e mulheres na faixa etária de 18 a 92 anos, com diferentes graus de escolaridade e profissões diferenciadas como: seringueiros, professores e agentes de saúde. O corpus analisado compõe-se de um glossário com 134 lexias arroladas e que designam os nomes de árvores, com um modelo de verbete que aborda a classe gramatical, a definição, as variações, o contexto de uso e a etimologia. Além disso, as lexias foram distribuídas em quatro campos semânticos, a saber: uso para beneficiamento, uso para atividade financeira, uso medicinal e uso alimentício. Após as classificações, foram elaboradas tabelas e gráficos abordando as variáveis linguísticas: classificação morfológica, dicionarização das lexias, tipos e formação das lexias, etimologia e campo semântico. Observou-se que o glossário está composto, majoritariamente, por substantivos masculinos, totalizando 76, enquanto que os femininos totalizam 58. Observou-se que 18 lexias não se encontram dicionarizadas, como: angelca, cagarça e manitê. Ademais, constatou-se que as lexias simples tiveram maior frequência (102), seguida das lexias compostas (18) e, por último, das lexias complexas (14). As lexias são formadas por derivação do tipo sufixal, totalizando 22 (vinte e duas) lexias e por composição somam-se 33 (trinta e três) ocorrências, sendo que 31 (trinta e uma) ocorrem por justaposição e 2 (duas) por aglutinação. Percebeu-se que 27 (vinte e sete) lexias são denominadas por analogia, como: pata-de-vaca, algodoeiro, sino, entre outras. Em relação à etimologia, foram identificados 14 étimos distintos, sendo que, os de maior ocorrência foram: tupi (56), latim (51), árabe (7), origem controversa (5), espanhol (5) e francês (4). Em relação aos campos semânticos, constatou-se que a maioria das árvores é utilizada para beneficiamento (61), seguida do uso para alimentação (40), depois uso medicinal (22) e, por fim, para atividade financeira (11). Os resultados demonstram a dinamicidade da língua, as inúmeras variações e utilidades das árvores pesquisadas, sendo um universo linguístico rico de uma comunidade que, mesmo isolada numa reserva extrativista, com suas dificuldades e peculiaridades, demonstra uma riqueza vocabular e domínio de termos difíceis de encontrar no falar corrente da população urbana, como canafístula e mururé, mas que são reconhecidos pelos dicionários de língua, demonstrando que o léxico é recorrente entre os falantes e que a marca da oralidade é a maior riqueza de preservação da cultura e da linguagem de uma comunidade linguística.