O processo de inclusão educacional da pessoa com deficiência na escola regular ainda representa um desafio aos educadores e aos sistemas de ensino. Assim, a oferta de um ensino inclusivo remete-nos a pensar numa escola que crie caminhos e oportunize a aprendizagem dos envolvidos na ação inclusiva. Nesse sentido, a Política Nacional da Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva orienta, por meio do Atendimento Educacional Especializado (doravante AEE), alternativas para a efetivação da inclusão do aluno com deficiência e com outras necessidades especiais, na escola comum. Nesse contexto, por meio desta pesquisa, realizamos um estudo com o intuito de ampliar a discussão sobre a ação pedagógica realizada no espaço do AEE e sua contribuição para a efetivação da escola inclusiva. Assim, nosso trabalho teve como objetivo geral conhecer e analisar como vêm ocorrendo o ensino da Língua Brasileira de Sinais (Libras) no Atendimento Educacional Especializado (AEE) de uma escola pública e de que modo esse ensino tem contribuído para a melhoria do processo de escolarização do aluno surdo. O trabalho teve ainda os seguintes objetivos específicos: Identificar a ocorrência de estratégias criativas no ensino da Libras ofertado pelo Atendimento Educacional Especializado; Avaliar de que modo o ensino da Libras contribui para o processo de aprendizagem dos conteúdos por alunos surdos; Identificar quais os aspectos subjetivos do professor da Libras que se relacionam com as estratégias criativas apontadas pelo conceito de Criatividade. Para tanto, construímos nossa discussão teórica a partir da teoria da subjetividade, desenvolvida numa perspectiva histórico-cultural por González Rey (2003) e no conceito de Criatividade, elaborado por Mitjáns Martínez (1997; 2003). Para a realização do estudo, optamos pela Epistemologia Qualitativa construída por González Rey (2010) e os princípios metodológicos do Estudo de Caso. Assim, utilizamos instrumentos abertos e semiabertos, como: observação, entrevistas, redação, técnica do complemento de frases e análise de documento. Fizeram parte de nosso estudo, três profissionais que estão envolvidos com o trabalho pedagógico dos alunos com surdez, sendo um professor que atua no AEE, o instrutor da Libras e a professora da sala regular de ensino de uma escola pública, no município de Assu/RN. Com o estudo, identificamos que a ação do professor instrutor da Libras, no AEE, pode ser considerada como criativa, visto que ele desenvolve estratégias e atividades diversificadas com o intuito de garantir a aprendizagem e o desenvolvimento dos alunos surdos. Essa ação está relacionada com elementos subjetivos, de ordens individual e social. Assim, conforme as análises construídas, identificamos elementos subjetivos favorecedores da criatividade, tais como a motivação, o comprometimento, os sentidos relacionados à própria experiência de ser surdo, desejando possibilitar melhorias na vida desse grupo, além da sua mobilização no exercício da atividade profissional. Embora tenhamos percebido traços criativos na ação do instrutor da Libras, o estudo revela alguns fatores externos, de ordem estrutural, que interferem negativamente na realização de práticas mais criativas no espaço do AEE, como a falta de formação continuada dos profissionais, a ausência de um planejamento articulado entre os profissionais do AEE e da sala regular de ensino, entre outros. Este estudo aponta algumas ausências e emergências no ensino da Libras como parte do AEE e possibilita novas reflexões sobre o processo de inclusão educacional da pessoa com deficiência na escola regular, sendo a ação criativa uma possibilidade para a construção de uma escola inclusiva.