A nomeação dos lugares é uma das mais antigas atividades humanas, parte das relações desenvolvidas nos diversos espaços geográficos. Inerente a esses fatores há uma motivação que impulsiona a escolha dos designativos, e isso aponta para as diversas relações desenvolvidas pelos grupos humanos em lugares diversificados. A Toponímia é um campo de estudo da Linguística que tem os topônimos (nomes de lugares) como objeto de pesquisa, que são, geralmente, coletados em mapas. No entanto, neste trabalho, objetivou-se analisar a motivação para os topônimos da Floresta Nacional (FLONA) de Humaitá, uma comunidade tradicional do sul do estado do Amazonas, a partir da memória oral dos moradores dessa localidade. Essa Floresta Nacional é constituída por sete comunidades: Maicy, Barro Vermelho, Barreira do Tambaqui, Salomão, Boa Esperança, Buiuçú e Palha Preta. Os objetivos específicos foram coletar os topônimos da FLONA de Humaitá, identificar a motivação para a nomeação dos lugares na perspectiva dos moradores da reserva e classificar os topônimos a partir dessa motivação. Essas classificações toponímicas foram elaboradas, no Brasil, por Dick (1986 e 1990). Dick (1986, 1990 e 1996) foi, ainda, a base teórica para a definição e discussão da Toponímia. Já, no que toca à memória, foram usados autores como Bosi (1994), Portelli (2010), Rossi (2010), Alberti (2005), Passerini (2011) e Meihy (2000). A metodologia utilizada foi a de cunho qualitativo. Nesse recorte, partiu-se da pesquisa campo e os instrumentos de coleta de dados foram a pesquisa documental, a observação participante e o uso de narrativas. Contou-se com doze narrativas de sessenta topônimos. A comunidade na qual se identificou o maior número de topônimos foi a Comunidade Maicy, com 55% e, as Comunidade Palha Preta e Boa Esperança, foram as que menos se destacaram nesse aspecto. Dos sessenta topônimos, há em maior quantidade aqueles classificados como zootopônimos, 23,34%, ao passo que temos, em quantidade reduzida, os hagiotopônimos aparentes e os litotopônimos, com 3,33% cada. Pensar, portanto, nos recortes teórico e metodológico para contemplar a motivação toponímica, por meio da memória oral de comunidades tradicionais, foi também pensar na trajetória dos estudos toponímicos quanto ao tratamento do seu objeto de estudo, o topônimo. Nesta dissertação, a análise da motivação toponímia centrou-se na memória, que traz, dentre outros aspectos, a relação entre o homem e os nomes dos lugares.