Os estudos toponímicos possibilitam o resgate de características sócio-histórico-culturais de uma comunidade refletidas na escolha do nome de lugares. Com base nisso, este estudo objetiva demonstrar a influência cultural, especificamente religiosa, nordestina na formação toponímica do Acre, a partir do resgate dos motivadores no ato de nomeação das comunidades rurais acrianas. Para a base teórico-metodológica utilizou-se, entre outros, dos estudos de Dick (1986; 1990), Sousa (2007) e Andrade (2010). Utilizando-se do banco de dados das comunidades rurais acrianas, catalogadas pelos programas PDC – PROACRE e ZEE, foram coletados 269 hierotopônimos de 1.775 comunidades, correspondendo a 15,15% dos nomes, resultando numa vasta diversidade toponomástica, dividida nas cinco regionais acrianas. Como resultado, propõe-se a criação da taxe “Fidetopônimo” como subdivisão do “Hierotopônimo” proposto por Dick (1986). Dos 269 hierotopônimos coletados, registra-se 122 na Regional Alto Acre, sendo 98 hagiotopônimos e 24 fidetopônimos; 66 na Regional Purus, sendo 56 hagiotopônimos e 10 fidetopônimos; 34 na Regional Tarauacá/Envira, 27 hagiotopônimos e 07 fidetopônimos; 25 na Regional Juruá, 15 hagiotopônimos e 10 fidetopônimos e, por último, 22 na Regional Baixo Acre, sendo 20 hagiotopônimos e 02 fidetopônimos. Destaca-se a prevalência dos Hagiotopônimos, totalizando 80,30% contraposto aos Fidetopônimos que totalizaram 19,70% dos Hierotopônimos. Ressalta-se a representatividade feminina, correspondendo a 25% dos hagiotopônimos. Acerca da formação sintagmática, registra-se que os Hagiotopônimos possuem formação composta por justaposição como Santo Antônio e São Pedro, excetuando-se os topônimos Santana e Santiago de formação composta por aglutinação. Aponta-se, ainda, formação composta com uso de determinativo como São Francisco do Guarani e São Francisco do Espalho, uma formação com uso de qualificativo em Santa Helena Nova e uma formação composta com uso de sufixo diminutivo em São Josezinho. Registra-se ainda, comumente, o uso de determinativos na formação dos Hagiotopônimos e Fidetopônimos mediante numeral romano dos quais cita-se: São Francisco II, São Félix II e Santa Fé I. A exemplo de estudos toponímicos brasileiro, a preferência hagiotoponímica recai no topônimo São José com 23 devoções em sua forma específica. Acerca dos Fidetopônimos, registra-se formações simples como Natal e Capela e formações compostas por justaposição como Adão e Eva e Fé em Deus, bem como, uma formação composta por justaposição com uso de determinativo em Bom Jesus do São Jerônimo e formação com uso de qualificativo no topônimo Bom
Jesus e seu derivante Bom Jesus do São Jerônimo. Destaca-se, também, a importância da fé no universo cosmológico do seringueiro. Percebe-se que o ato de nomear é atividade específica do homem e contribui para o seu entendimento do mundo. Infere-se que o ato de batismo, a partir do sagrado, reflete uma forma do denominador se sentir protegido, nesse sentido, fé e vida encontram-se em íntima relação. Por fim, evidencia-se a importância da língua nessa relação entre cultura e religiosidade, interligando diferentes saberes e alcançando diferentes culturas e histórias, sendo a Toponímia o instrumento de “escavação” acerca da história de uma comunidade.