Esta dissertação parte da problemática falta de conhecimento e consequentemente, falta de
reconhecimento dos patrimônios geológicos locais, como “ícones” de uma identidade cultural
local, como também, da constatada carência de espaços museais com acervos de geociências
que realizam ações educativas e exposições dos patrimônios geológicos, na região CentroOeste,
em especial na cidade de Campo Grande, estado do Mato Grosso do Sul. Nosso
objetivo foi identificar como professores e acadêmicos, educadores e futuros educadores,
percebem, ou mesmo, utilizam o Museu das Culturas Dom Bosco - MCDB, destacando suas
coleções de geociências como recursos didático-pedagógicos para o ensino de ciências e de
educação ambiental e educação patrimonial. Para a materialização das hipóteses levantadas,
foram utilizadas adaptações das metodologias dos Três Momentos Pedagógicos para o ensino
de ciências com a metodologia da Educação Patrimonial, adotada na educação em museus,
adequando-a do uso do objeto museal. Tal como um fóssil, por exemplo, servindo como base
de reconhecimentos dos conhecimentos já identificados no público alvo, para a
problematização, discussão e mediação em visitas a exposição com temas e conceitos básicos
sobre geociências. Além da metodologia de educação patrimonial e dos três momentos
pedagógicos, o trabalho envolveu também pesquisas bibliográficas referentes aos temas
ensino de ciências, geologia, paleontologia, arqueologia, patrimônio, museologia e educação
ambiental; Visitas mediadas ao museu selecionado; Realização de levantamento qualitativo
das ações e práticas educativas; Observações e registros referentes às comunicações e ações
de educação patrimonial e ambiental. Com os resultados dos levantamentos das percepções
dos participantes da pesquisa quanto aos temas citados nas ações educativas realizadas no
Museu, foi possível constatar que o MCDB é citado por aproximadamente 60% dos
participantes como um espaço onde são realizadas ações educativas, muitas vezes
complementando os conteúdos de sala de aula da educação formal. Porém, quando analisamos
a forma como são realizadas as atividades, constatamos que os mesmos 60% que declararam
utilizá-lo como recurso educativo não desenvolvem um plano de aula específico para a
atividade no museu, ou mesmo não trabalham temas de geociências. Após as constatações das
percepções dos participantes passamos a revisão de conceitos da geociências juntamente com
a elaboração coletiva e aplicação de um roteiro didático para as coleções de geociências junto
aos participantes.