O presente estudo buscou, por meio dos registros obtidos junto aos anciões da Vila São Bernardo e dos alunos da Escola Estadual Coronel Fernandes, compreender a origem dos Penitentes do Alto do Tabor e discutir o legado de fé deixado por esta irmandade. Investigou também o tratamento oferecido pelas disciplinas de História e Geografia ao ensino da história do lugar. Em todo o processo de investigação, procurou-se discutir as contribuições desse patrimônio, tomando como base para as análises dos dados, no âmbito das relações estabelecidas entre os penitentes e seus protetores espirituais, os lugares que eles sagraram e a compreensão topofílica de lugar. Considerou-se, nessa pesquisa, a narrativa oral dos sujeitos colaboradores da pesquisa, bem como as práticas religiosas observadas na cultura de fé nos dias atuais. Esse estudo constitui-se de grande relevância para as discussões comunitárias, escolares e acadêmicas sobre o tratamento dado ao ensino do lugar nas aulas de História e de Geografia por contribuir para discussões, cotejamentos, entendimentos ou redimensionamento da história existente. Importante também se faz, nesse tipo de pesquisa e método, a urgência dos registros que a oralidade nos traz devido à subjetividade contida nesse patrimônio guardado na frágil figura de um idoso, ficando assim exposta ao imprevisível, à transitoriedade da vida e ao próprio esquecimento. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, com o emprego do método da História Oral. Quanto aos resultados obtidos, a pesquisa encontrou, dentre os registros materiais, o Cruzeiro das Sete Espadas, no Alto do Tabor, a Disciplina que serviu de instrumento durante os rituais de autoflagelação e o registro no Livro de Tombo da paróquia de Luís Gomes. Na oralidade das pessoas investigadas encontramos os registros imateriais deixados pelos penitentes: o respeito a Santo Inácio de Loyola – santo padroeiro dos penitentes –, a devoção a Nossa Senhora, o jejum e o respeito aos mais velhos, o hábito de rezar o terço em família, assistir às novenas, missas, procissões e, especialmente, o hábito de realizar promessas para serem pagas no Alto do Tabor, e a descrição de uma espiritualidade marcada por hábitos cristão-católicos, amparados em uma fé quase que palpável ainda hoje, preservada por alguns moradores do lugar. Quanto às questões pertinentes ao ensino do lugar, observou-se que, ao abordar a História local, os alunos passam a compreender melhor seu lugar de forma não isolada dos demais acontecimentos do mundo. Ao construir o conceito de lugar, os alunos podem aprender, também, a valorizar as múltiplas identidades culturais e sociais às quais estão expostos, respeitando-as, defendendo-as, fortalecendo a sua cidadania e aprimorando o seu desempenho. Para tanto, o ensino de História e Geografia deve se valer de outras referências curriculares, além dos livros didáticos. O ensino do lugar exige, além de uma interpretação histórico-cultural, o envolvimento do ensinante com os costumes das pessoas do lugar, suas crenças e seus conhecimentos histórico-geográficos; requer, portanto, a percepção do patrimônio histórico/religioso/social/familiar e pessoal através da Topofilia.