O estudo dos sistemas sensoriais e, em particular, o tato é de grande relevância
para o entendimento sobre a organização e funcionamento do sistema nervoso,
tema incluído nas orientações curriculares propostas pela Secretaria Municipal de
Educação do Rio de Janeiro e presente nos livros didáticos, de acordo com os
Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) para o ensino básico no Brasil. Desta
forma, este trabalho apresenta uma proposta pedagógica para incentivar a aplicação
de aulas práticas a respeito dos temas tato e Braille no ensino de Ciências.
Desenvolvemos a oficina “Do toque ao Braille”, na qual estão presentes as seguintes
atividades práticas: (i) discriminação tátil, (ii) percepção de texturas, (iii) adaptação
térmica, (iv) caixa de percepção e (v) leitura e escrita Braille. Confeccionamos
material didático impresso denominado “Cadernos de práticas em Neurociências
vol.2: Do toque ao Braille” e disponibilizamos gratuitamente online os roteiros das
práticas da oficina no site www.cienciaecognicao.org/min. O teste da usabilidade da
oficina ocorreu durante as ações do Museu Itinerante de Neurociências (CeCNuDCEN/UFRJ)
em espaços formais e não formais de ensino durante o período
2014-2015. A pesquisa foi realizada na Escola Municipal Sindicalista Chico Mendes,
situada no bairro de Santa Cruz, Rio de janeiro - RJ, com alunos do 8º ano do
Ensino Fundamental, durante as aulas de Ciências. A coleta de dados ocorreu após
aprovação do Conselho de Ética em Pesquisas (HUCFF/UFRJ # 934.505) e
preenchimento dos termos de consentimento livre e esclarecido. Foram utilizados
nesta pesquisa (i) questionário de conhecimentos prévios, (ii) confecção de mapas
conceituais (MCs) antes (MC1) e após (MC2) a intervenção com aula expositiva
(turma A; n=31) ou aula expositiva com atividades práticas (turma B; n=29), (iii)
questionário de análise do material didático (turma B) e (iv) construção de nuvens de
palavras a partir dos conceitos vizinhos (CVs) e dos conceitos complementares
(CCs) presentes nos MCs. Os dados foram analisados de forma qualitativa e
quantitativa, sendo a análise dos MCs conforme a diversidade e número de CVs,
xii
CCs e frases de ligação (FsL) utilizados. Nossos resultados mostraram que ambas
as turmas apresentaram pouco conhecimentos prévios sobre o assunto. O uso de
CVs no MC1 das turmas A e B foi similar. No entanto, registramos um numero 73,5%
maior de CCs nos mapas elaborados pelos alunos da turma B, embora não
houvesse diferença no numero de FsL. Além disso, os alunos da turma B acertaram
90% das assertivas do questionário de análise de conteúdo do material didático.
Desta forma, nossos resultados indicam que o uso da oficina pedagógica permitiu
uma maior interação e colaboração entre os alunos, sendo esta uma abordagem
centrada no aprendiz e no aprendizado, o que indica poder assumir o papel de
ferramenta potencialmente significativa, facilitando assim, a criação de conexões
entre as informações recebidas durante as aulas.