No Brasil, a Resolução CONAMA nº 307/2002 e a Resolução CONAMA nº 448/2012 definem que os resíduos da construção civil (RCC) classe A, caso não sejam reutilizados ou reciclados na forma de agregados, devem ser destinados para aterros de resíduos classe A de reservação de material para usos futuros. Porém, pequenas quantidades de resíduos de outras classes, e resíduos não inertes acabam dispostos junto a esse tipo de aterro. Esse fato pode ser agravado devido esses aterros não possuírem impermeabilização de base e sistemas de drenagem de lixiviados, o que pode favorecer a migração desses lixiviados de RCC para reservas de água, e colocar em risco a saúde da população e o meio ambiente. Com intuito de contribuir nessa área de conhecimento o presente estudo teve por finalidade investigar a influência de lixiviados de aterros de RCC classe A na qualidade dos recursos hídricos. Para tanto, foi realizado um estudo por meio de três etapas análise do histórico ambiental do aterro de RCC classe A do município de São Carlos-SP, simulação de lixiviação de amostras de RCC em colunas de lixiviação (saturadas e não saturadas), e coleta de água subterrânea (4 pontos) do aterro de RCC classe A. Resultados da pesquisa apontaram que as amostras de agregados de RCC classe A foram classificadas, de acordo com a NBR 10.004 (ABNT, 2004), como sendo resíduos não perigosos e não inertes Classe II A. A hipótese tema do estudo foi verificada, a qual apontou que podem existir interações físicas e químicas entre os RCC e as águas subterrâneas, as quais podem vir a poluir ou contaminar esses recursos inviabilizando o uso dessas águas para consumo humano. As concentrações máximas dos lixiviados de RCC que excederam o valor máximo permitido para consumo humano foram: sulfato (950mg/L), dureza (11.280 mg/L), cor (124 uH), Pb (0,36 mg/L), Cd (0,075 mg/L), Ni (0,088 mg/L), Fe (0,658 mg/L), Ba (1,205 mg/L), Cr (0,125 mg/L), Mn (0,297 mg/L), e Al (3,44 mg/L). A pesquisa também contribuiu para melhoria de projetos, execução e controle de aterros de resíduos da construção civil, a fim de futuramente equacionar possíveis impactos negativos gerados por esse tipo de resíduo aos recursos hídricos.