A pesquisa "Entre o banquete e o corpo: a carnavalização em Como agua para chocolate" tem por objetivo indicar os constituintes da carnavalização na obra Como Agua para Chocolate, da autora mexicana Laura Esquivel, analisando elementos simbólicos ressaltados pelo estudioso russo Mikhail Bakhtin como o banquete, a comida, a bebida, os atos de excretar, copular, parir, além da água e do fogo. A indefinição das fronteiras entre o corpo e o mundo,tão presentes no grotesco,é utilizada pela autora em sua obra a fim de também jogar com o alto e o baixo, questionar a ordem e a posição do discurso oficial e das instituições, oferecendo um “banquete” metafórico que brinca com a relatividade da verdade e com o papel do marginal, do impróprio e do corriqueiro como aspectos essenciais da vida.No processo dessa análise surgiu a necessidade de escrever e refletir sobre as fronteiras, as culturas e as identidades. A presente pesquisa, de caráter bibliográfico, teve como suporte teórico, os escritos de Bakhtin (2013, 2014, 2015) no que se refere à carnavalização e ao estudo da produção romanesca. A fim de redigir sobre aspectos do romance latino-americano, bem como dos elementos narrativos foi necessário recorrer aos estudos de Coutinho (1984), Ceserani (2006), Calasans (1988), Chiampi (2012), Massaud Moisés e Cândida Vilares Gancho (1995).As reflexões sobre o corpo, o feminino, as fronteiras e identidades foram auxiliadas por Sant’Anna (2001), Matos e Soihet (2003), Nascimento (2007), Bhabha (2010), Bauman (2005) e Lins (1990). As considerações iniciais receberam o título de “Sazón de la Salsa”. Em “Como agua para chocolate: um romance latino-americano e suas fronteiras” é apresentada uma análise dos aspectos do romance, indicando o que singulariza a escrita esquiveliana, como o espaço, as fronteiras, os excrementos, chegando inclusive às questões identitárias. No capítulo seguinte, intitulado “O ato sagrado da profanação na tecitura da vida, na tecitura do texto”, são feitas considerações pautadas nas relações entre a comida, o corpo, especialmente o corpo feminino, e o desejo. Nele foram realizadas reflexões acerca de como essa tríade influi e é vista na cultura ocidental. No terceiro capítulo, “O carnaval em Como agua para chocolate”, há o delineamento dos elementos e imagens que permitem ver, de forma patente a carnavalização literária. Finalmente, “Os Fios…”.