A pesquisa tem como objetivo fazer um estudo sobre o Festival Acreano de Música Popular – FAMP, a partir de suas práticas e representações e como o poder é representado dentro dessas práticas. Entendendo que os FAMPs ao mesmo tempo em que são práticas culturais, também são conjuntos de representações. A pesquisa dialoga com a história cultural e história oral. Os materiais utilizados para análise são letras e áudios de canções apresentadas e representadas em alguns FAMPs, fragmentos de partituras e algumas imagens. Os FAMPs aconteceram no período de 1980 a 2012, num total de 12 (doze) versões. Diante desse recorte, os festivais foram divididos por fase contextual. Isso permitiu situar determinadas práticas e representações em seus respectivos contextos históricos sociais. Foi feito um breve histórico dos FAMPs, assim como de um possível cenário musical acriano, passando por algumas práticas musicais anteriores, e em torno do FAMP, como as práticas musicais nos bares, a Rádio Difusora Acreana, bandas e conjuntos. Adotou-se como procedimentos metodológicos a pesquisa documental do material existente, como: livros, dissertações, artigos, monografias, revistas, jornais, CDs, etc., bem como a pesquisa de campo e fontes orais. Como referencial teórico foram utilizados Roger Chartier (2002, 2011), Pierre Bourdieu (1989), Michel de Certeau (1998), Alessandro Portelli (1996, 1997, 2010), Edward Said (1992, 2003), Stuart Hall (2003), entre outros. Dentre as questões levantadas, destacam-se: as representações da “Amazônia”, ou como a “Amazônia” foi representada por algumas músicas nos FAMPs, passando pela discussão de pensar a “Amazônia” não como algo acabado, fechado, cristalizado, natural, mas como algo a ser experienciado, algo plural e heterogêneo; As representações do “seringueiro”; pensando o sujeito social “seringueiro” como consequência da modernidade e manutenção da colonialidade do poder; As práticas de “protestos” e “denúncias” nos FAMPs, onde essas práticas assumem conotações diferentes, de acordo com os respectivos contextos históricos em que estão inseridas, e as representações de poder nos FAMPs, no qual se dá pela relação e depende da aceitação para ser exercido.