O presente trabalho, aplicado junto à Penitenciaria Evaristo de Morais, teve por objetivo principal estudar a identidade da mulher presa reincidente e sua tentativa de reinserção social no município de Sena Madureira, no Estado do Acre. A partir dessa investigação, a perspectiva teórica adotada fundamenta-se na teoria das relações de poder de Michel Foucault (1995), (1999), (2003), (2007) e (2008); Identidade, de Erving Goffman (2004), Stuart Hall (2006), (2014) e Tomaz Tadeu da Silva (2014); e relações de gênero de Rachel Soihet (1989) e Joan Scott (1989). Através de uma abordagem qualitativa descritiva, permitiu-se identificar os fatores que influenciam a reincidência e a construção de suas identidades. O foco dessa pesquisa não se restringe apenas a fatores econômicos como influenciadores da condição de reincidente, mas considera-se o percurso de vida dessas mulheres junto às relações sociais, e em como esses fatores interferem na construção de suas identidades. Primeiramente, fez-se um levantamento da inserção da pena de prisão no Brasil, no Acre e em Sena Madureira versando sobre as mulheres encarceradas. Em seguida, uma construção discursiva em torno da identidade da mulher criminosa. Por fim, a análise dos dados deu-se do material coletado através de cinco entrevistas semiestruturadas com intuito de elaborar este percurso identitário e, para isso, foi utilizada a perspectiva de Bardin (2009). Lidar com pessoas encarceradas, sobretudo aquelas que vivem em regime fechado, requer condições não apenas estruturais, mas sociais facilitadoras, pois o percurso e construção dos seus valores morais e sociais podem, em alguns momentos, podem ser associados de forma complexa e contraditória (HALL, 2006), devido ao meio empregado como a desestruturação familiar. Dessa forma, o presente estudo demonstrará os diferentes discursos acerca do sistema prisional e como ele influencia significativamente na identidade da mulher presa reincidente.