A família Sapotaceae possui atividades farmacológicas que estão relacionadas à presença de diferentes metabólitos secundários, além de possuir ampla distribuição na região do semiárido. Manilkara rufula, também conhecida como “maçaranduba”, pertence a essa família, no entanto, estudos sobre sua atividade farmacológica e composição química são ainda incipientes. Diante disso, o objetivo deste trabalho foi investigar as propriedades farmacológicas e o perfil fitoquímico preliminar de extratos e frações do caule de M. rufula. Após coleta e identificação da planta, extrato etanólico e frações foram preparados. A atividade antioxidante foi determinada pelos métodos de captura dos radicais DPPH e ABTS+ e inibição da oxidação do β-caroteno. Em seguida, as concentrações inibitórias mínima e bactericida mínima foram estimadas pelo método de microdiluição em caldo contra as bactérias Staphylococcus aureus, Pseudomonas aeruginosa, Proteus mirabilis, Klebsiela pneumoniae e Escherichia coli. As amostras foram também investigadas quanto à citotoxicidade e aos potenciais antioxidante e citoprotetor em cultura de macrófagos. A atividade antiproliferativa foi avaliada sobre linhagens tumorais HepG2 (carcinoma hepatocelular humano) e HL-60 (leucemia promielocítica humana). Em seguida, determinou-se efeitos das amostras sobre a atividade in vitro da arginase de Leishmania amazonensis e na sobrevivência de formas amastigotas de L. amazonensis e T. cruzi. O perfil fitoquímico foi determinado por alguns métodos qualitativos de fitoquímica clássica, espectroscopia de infravermelho, LC-MS/MS e CG-MS. Os dados foram analisados por ANOVA e Dunnet como pós-teste e a correlação entre as atividades antioxidante, leishmanicida e tripanocida com os compostos fenólicos foi determinada pela correlação de Pearson, com significância de 5%. As amostras apresentaram propriedades antioxidantes, bactericida, leishmanicida, tripanocida e antitumoral e sem características tóxicas sobre células normais. A inibição da peroxidação e a atividade tripanocida foram associadas com a concentração de fenólicos nas amostras. A triagem fitoquímica inicial indiciou a presença de triterpenos na fração hexânica. Em seguida, a análise de infravermelho demonstrou a presença de grupos químicos como glicosídeos, anéis aromáticos, terpenos e ésteres graxos nas frações, enquanto que por LC-MS/MS e CG-MS detectou-se dímeros e trímeros de proantocianidinas, catequina e variados terpenos. Em conclusão, este trabalho descreveu pela primeira vez as propriedades farmacológicas da casca do caule de M. rufula e alguns de seus constituintes químicos, além de valorar componentes da biodiversidade baiana.