No Século XXI, as tecnologias da informação e comunicação vêm modificando os hábitos e costumes da sociedade. As escolas, como parte desta, não estão imunes as interferências provocadas pelas tecnologias, através dos telefones celulares, entre outros, no cotidiano escolar. Os telefones celulares marcam territórios em todos os lugares e de todos os lados e o que se expressa é a “nocividade” desses aparelhos para a sala de aula, por dificultarem a concentração e atrapalharem a aprendizagem. Face ao exposto, esta pesquisa se propõe a averiguar, em escolas públicas estaduais do Município de Petrolina, o uso do telefone celular em sala de aula, que promovam o ensino-aprendizagem no contexto do semiárido, com o público de professores e estudantes do Ensino Médio. Na contramão da integração dos dispositivos móveis no espaço escolar, leis sancionadas no Estado de Pernambuco e no Município de Petrolina, além de outros estados, restringem o uso de telefones celulares em estabelecimentos públicos e privados. Entre dúvidas e incertezas, o caminho metodológico foi traçado numa abordagem qualitativo-quantitativa, na perspectiva de examinar o uso do telefone celular na sala de aula, como um recurso pedagógico. O método utilizado para se chegar ao fim temporário desta pesquisa, entranha nas características do estudo comparativo. Os instrumentos utilizados durante o processo foram: observações, aplicação de questionários, entrevistas semiestruturadas individuais e coletivas. Através da pesquisa in loco, constataram-se divergências/convergências, em relação ao uso do celular, entre professores e estudantes. As escolas, ainda, não são flexíveis e abertas ao uso da tecnologia e, consequentemente, ao uso do celular, ficando alheias aos interesses dos estudantes, que levam para as escolas, diversos saberes culturais, gerando uma dicotomia conflituosa, pois, uma geração de nativos digitais, que estão constantemente conectados, não permanece estática, em uma aula monótona, com quadro negro, giz branco e saliva. Assim, chega a ser contraditório a “marginalização” e proibição do uso do telefone celular, na sala de aula, sem considerar, os desafios que podem ser provocados através do mesmo. Isso demonstra que ainda há um longo debate a ser feito no sentido da integração do telefone celular como objeto pedagógico na rede estadual de ensino no município de Petrolina, e, consequentemente, no contexto do semiárido, pois, mesmo com potencial para contribuir na aprendizagem, enfrenta problemas para ser reconhecido com um recurso pedagógico, visto que é utilizado com maior intensidade, pelos estudantes, apenas para trocar mensagens e participar das redes sociais.