Esta pesquisa situa-se no campo de Toponímia (subárea da Onomástica), cujo objetivo é estudar os nomes próprios de lugares, levando em consideração, especialmente, os aspectos motivacionais e linguísticos relacionados à nomeação. Fundamentados teórica e metodologicamente nos estudos de Dick (1990ª e 1999), nosso objetivo principal foi traçar o perfil toponímico da regional Alto Acre e, em consequência deste, estruturar um banco de dados toponomásticos, cuja análise relacionasse aspectos linguísticos, históricos, geográficos que permitissem traçar o perfil toponímico do Alto Acre, regional constituída pelos municípios de Assis Brasil, Brasiléia, Epitaciolândia e Xapuri; no estado do Acre. O corpus desta pesquisa constituiu-se de dados obtidos nos mapas digitais de escala 1 : 100,000 - 1 : 250,000 do acervo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística- IBGE; de planilhas de projetos de assentamento do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária - INCRA e da Secretaria de Meio Ambiente do Acre – SEMA. Adotamos os métodos tipológico e onomasilógico, somado ao modelo analítico-classificatório taxionômico proposto por Dick (1990a). Quanto aos resultados, em perspectiva geral, o índice percentual preponderante foi de fatores motivacionais de cunho antropocultural com 63%. Os de natureza física somaram 35,65%, e 1,90% dos topônimos ficaram sem classificação. Tais percentuais resultaram de um montante de 913 topônimos. Dentre as ocorrências de topônimos de natureza física, os fitotopônimos marcaram o índice de 10,22%; os hidrotopônimos pontuaram 6,54% e os zootopônimos somaram o índice de 6,10%. Quanto aos índices percentuais relativos aos fatores de natureza antropocultural, o mais expressivo foi o índice dos hagiotopônimos com 11,21% e os animotopônimos com 8,25%. Assim, constatamos que, sobre a nomeação dos elementos geográficos da zona rural do Alto Acre, incidiram fatores tanto de cunho físico-geográfico como de natureza social, cultural e histórico. Quanto aos aspectos etimológicos, a recorrência incidiu em vocábulos oriundos do latim, tupi e outras línguas indígenas, respectivamente. Já em relação às estrutras morfológicas, preponderaram topônimos simples, formados por substantivos, com alta incidência de composição por meio de morfemas sufixais como -eiro -al, -edo. Contudo, cabe destaque a alta recorrência de estruturas compostas formadas por Adjetivo + substantivo. Houve também alta incidência de numeral e verbo funcionando como substantivo.