Este estudo investigou como as relações sociais de gênero se manifestavam na vivência com
o cinema por jovens no ambiente escolar, a partir do projeto Cineclube Sabotage, realizado
pela ONG Oficina de Imagens, entre os anos de 2010 a 2015, na Escola Municipal
Professora Alcida Torres, localizada no Bairro Taquaril do município de Belo Horizonte,
Minas Gerais. A pesquisa buscou uma interseção entre Educação, Cinema e Gênero,
considerando a presença do cinema na vida da/os estudantes, sobretudo a partir da aprovação
da Lei 13.006/14, que determinou a exibição de cinema nas escolas públicas. A abordagem
metodológica utilizada na condução desta pesquisa compreendeu um estudo de caso, com
uso de entrevistas semiestruturadas às pessoas diretamente envolvidas no projeto e
observação participante de uma sessão de cinema na escola. Para consolidação da pesquisa e
análise mais precisa dos resultados foi necessário fazer uma interlocução com teorias e
estudos que abordam temáticas relacionadas a Juventudes, Cinema e Gênero, buscando
constituir uma interface de cada um desses temas com o campo da Educação. Como forma
de qualificar a escuta e os resultados, buscamos nos enunciados de estudantes, monitores e
colaboradores do cineclube, dentro e fora da escola, os sentidos e significados quanto às
relações de gênero. Por meio da investigação e dos estudos realizados foi possível perceber
que, apesar da categoria Gênero não aparecer diretamente como tema trabalhado pelo
cineclube e não ser um conceito presente no repertório do projeto, a existência de uma
prática cinematográfica na escola, com espaço para discussões e sensibilidade dos
debatedores para um diálogo horizontal, permitiu aos estudantes, segundo suas enunciações,
uma percepção e posicionamento maiores e mais críticos sobre as desigualdades sociais, tais
como aquelas, sentidas por elas/es em seus cotidianos, existentes entre homens e mulheres.