A questão das patentes e da propriedade industrial vem ganhando, cada vez mais, relevância dentro das organizações, seja para alavancar a área de P&D, seja como interesse estratégico. De forma análoga, a sustentabilidade também configura importante abordagem no contexto organizacional, se fazendo necessário adotar políticas e ações em prol do meio ambiente. Assim, dentro dessa dinâmica, o presente trabalho encontra motivação ao propor uma análise acerca da evolução dos números relacionados ao Programa Patentes Verdes e mapear o perfil de seus depositantes, como forma de melhor conhecer as organizações que fizeram uso da referida iniciativa governamental. A análise foi feita, em sua maioria, conforme dados extraídos da base do Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI), recorrendo, em situações pontuais, a bases patentárias internacionais (Latipat, Espacenet, Patentscope e ISI Web of Knowledge) ou a informações junto às próprias organizações. A pesquisa trouxe como principais resultados os seguintes pontos: a maioria das empresas ingressantes do Programa Patentes Verdes é de origem brasileira, mais especificamente provenientes de SP, na forma de pessoa jurídica e de pequeno porte (até 99 funcionários). Além disso, foi possível verificar que a maior parte das organizações detêm somente uma patente verdes, o que leva a indagar se o ingresso foi por interesses corporativos ou se de fato há preocupação ambiental por parte da empresa. Além disso, o estudo apontou que, ainda que a maior parte das organizações afirme ter atuação internacional, a maioria possui proteção patentária restrita ao mercado nacional. Observando as empresas que possuem depósitos no exterior, o estudo aponta que, em geral, as proteções fazem referências a tecnologias não enquadradas no programa. Isso nos faz cogitar sobre a possibilidade de as tecnologias limpas desenvolvidas no Brasil não terem aplicação no exterior ou não serem comercializadas – o fato nos faz questionar se as tecnologias verdes estão atreladas ao core business das organizações ou se esforços foram direcionados somente para desenvolvimento de uma tecnologia passível de ingresso no programa – independentemente de ser relacionada à atuação da empresa. Os resultados obtidos ao longo do trabalho mostra uma série de lacunas na elaboração/desenvolvimento da política pública adotada no Programa Patentes Verdes e a sua baixa adesão nos instiga a olhar as organizações com um olhar crítico e cético, entendendo que interesses corporativos podem sobressair-se sobre a romântica preocupação ambiental, uma vez que estamos inseridos em um mercado extremamente competitivo e capitalista.