Este estudo tem como propósito compreender percepções de gestoras de creches sobre o processo de formação continuada oferecido pela Secretaria de Educação de Santo André – município da Região Metropolitana de São Paulo -, com vistas a identificar quais elementos podem contribuir para aprimorar seu papel como “formadoras de professores”. Colocam-se alguns questionamentos iniciais: Como fortalecer as gestoras para coordenar o processo de formação continuada das equipes de creche? Quais características são importantes para que uma gestora de educação infantil conduza bem o processo formativo de sua equipe? Quais são as concepções que as gestoras de creche têm sobre formação continuada? Vale destacar que o estudo está ancorado nos objetivos propostos pelo Mestrado Profissional Formação de Gestores Educacionais: consolidar parcerias entre universidades e redes públicas de ensino, com vistas à construção de uma agenda propositiva; proporcionar o estudo de referenciais teóricos e metodológicos aos profissionais da educação, para compreender, organizar e ampliar estratégias de gestão e aperfeiçoar sua participação, individual e coletiva, em espaços educativos; subsidiar a elaboração de instrumentos de planejamento, registro, acompanhamento e avaliação em unidades, redes e sistemas de ensino; estimular o desenvolvimento de estratégias de intervenções e/ou de ações no que tange às práticas de gestão e às práticas pedagógicas. Inicialmente, apresenta-se uma discussão dos avanços e dilemas no âmbito da formação inicial e continuada dos professores fundamentados pelos estudos de Freire (1991; 1996 e 2014), Garcia (1999), Darling-Hammond (2015) e Tardif (2014), enfocando principalmente a educação infantil com base na produção teórica sobre o tema com destaque para as pesquisas de Campos (2013), Barbosa (2009), Kramer (1994; 2002 e 2005) e Oliveira-Formosinho (2002), bem como na legislação vigente. Na sequência, contextualiza-se a rede municipal de educação de Santo André, com foco nos aspectos legais de funcionamento das creches municipais e de gestão escolar referendado pelos estudos de Libâneo (2007); Libâneo, Oliveira e Toshi (2012). Como metodologia para coleta de dados optou-se pelos grupos operativos fundamentado por Pichon-Rivière (1988; 1991), pois o mesmo se baseia na perspectiva de operar a partir das ideias dos participantes, evidenciando contradições, impasses ou conflitos de concepções, de modo claro e explícito para todos. Dessa forma, os grupos operativos podem ser vistos não apenas como metodologia para coleta de dados, mas também, como estratégia formativa a ser implementada no contexto das Unidades Escolares em redes de ensino, configurando-se como estratégia relevante para implementação de políticas educacionais que atendam as reais necessidades de professores e gestores. Quanto à concepção de formação das gestoras foi possível definir alguns aspectos comuns: a formação enquanto espaço de escuta, discussão e troca que promove o crescimento individual e coletivo; a formação enquanto reflexão da prática; formação voltada ao estudo de documentos oficiais, produções acadêmicas e/ou artigos de revistas e entrevistas. É possível identificar que algumas gestoras não se reconheceram como formadoras, o que pode ser justificado pelo sentido construído ao longo dos tempos, atribuindo à palavra formação um “peso” que provoca o distanciamento do processo
de avaliação, reflexão e planejamento dos fazeres realizados no cotidiano das creches, envolvendo todos os profissionais que atuam naquele contexto. Portanto, é necessário retomar as discussões sobre a concepção de formação continuada nas reuniões setoriais da Secretaria Municipal de Santo André, bem como sistematizar o processo percorrido ao longo das reuniões de formação nos diferentes contextos da rede (unidades escolares, reuniões setoriais, reuniões de equipes da SE entre outras), para que o percurso de todos os profissionais seja reconhecido e documentado.