A pesquisa em foco busca averiguar a variação diatópica, em nível lexical, na Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS),nos vocábulos relacionados ao campo semântico “Família”. Partindo do princípio de que a LIBRAS, como qualquer língua natural, possui características formais e funcionais que favorecem o fenômeno da variação e mudança linguística, o presente estudo foi desenvolvido para, empiricamente, demonstrarmos a variação nas cinco regiões do Brasil, especificamente nos municípios: Rio Branco, Goiânia, Salvador, Natal, Juiz de Fora, Belo Horizonte, Florianópolis e Guaratiba. Para atingir o propósito, apresentamos um estudo bibliográfico no qual se intensificou as discussões sobre a descrição da Língua Brasileira de Sinais, baseado em Quadros e Karnopp (2004), Ferreira-Brito (1995), Gesser (2009), entre outros; questões relacionadas ao léxico e à variação linguística também são analisadas, detalhando cada um dos tipos de variação existentes, estabelecendo uma comparação entre Língua Portuguesa e a LIBRAS, tendo como fundamentação teóricaLabov (2008), Biderman (2001), Castilho (2010), entre outros.A existência (ou não) de variação diatópica dos sinais mencionados foi descrita e analisada a partir de dados coletados através de entrevistas em língua brasileira de sinaise filmadas com surdos que tenham curso superior, usuários dessa língua,de diferentes regiões do Brasil. Nas referidas entrevistas, destacaram-se os sinais de “Família” utilizados, verificando sua recorrência e variação, detalhando as características estruturais(parâmetros) daqueles empregados em cada local e quantificando sua utilização. Como resultado, os sinais que sofreram variação foram FAMÍLIA, IRMÃO/Ã, PAI e TIO/A. Desse modo, verifica-se que a LIBRAS, como qualquer língua natural, está sujeita ao fenômeno da variação, em particular, à variação diatópica, no âmbito lexical.