Este trabalho foi desenvolvido com intuito de: i) verificar se o aumento da oferta
de alimentos em relação ao peso corporal (PC) reduz o aproveitamento dos
componentes da dieta em novilhas leiteiras; ii) verificar se a composição genética de
novilhas leiteiras afeta o consumo, desempenho, balanço de nitrogênio, a produção de
calor, as exigências nutricionais de energia líquida e metabolizável para mantença,
respectivamente (ELm) e (EMm), e a emissão de metano entérico (CH4); iii) verificar se
a oferta de alimentos, influencia a partição energética e a emissão de CH4. Sendo assim,
realizaram-se dois experimentos. No primeiro foram avaliados os efeitos da oferta de
alimentos e composição genética sobre o consumo, digestibilidade, balanço de
nitrogênio (N) e desempenho de novilhas leiteiras. Trinta e seis novilhas, 12 Holandês,
12 Gir e 12 Girolando, com pesos corporais (PCi) iniciais médios de 401 ± 39 kg, 303 ±
59 kg e 457 ± 48 kg, respectivamente, foram alojadas em sistema “tie stall”,
alimentadas com uma dieta composta por silagem de milho e concentrado (70,7: 29,3
base MS) e distribuídas aleatoriamente em diferentes ofertas de alimentos, adotando-se
delineamento experimental inteiramente casualizado, em esquema fatorial 3 x 3 (oferta
de alimentos e composição genética). As dietas foram formuladas para possibilitarem
ganhos de peso de 200, 400 e 800 g/dia, correspondendo às ofertas: 11 g/kg PC, 14 g/kg
PC e 19 g/kg PC. As diferenças encontradas dentro da oferta de 11g/kg PC foram em
até 5,0% para o consumo de matéria seca (MS), fração fibrosa (g/kg PC0,75) e energia
metabolizável (g/kcal PC0,75). Com o aumento da oferta de alimentos, verificou-se efeito
linear decrescente no coeficiente de digestibilidade aparente dos carboidratos não
fibrosos. Foi observada superioridade de 13,85% na digestibilidade do extrato etéreo
para as novilhas Gir em relação às Girolando na oferta de 19 g/kg PC. O peso corporal
final e o ganho de peso médio diário aumentaram linearmente em resposta ao aumento
da oferta de alimentos. Animais zebuínos são nutricionalmente mais eficientes em condições de restrição alimentar (menor oferta de alimentos) em comparação aos
taurinos e cruzados, no entanto, em maiores níveis de oferta de alimentos são
equivalentes aos mesmos, respectivamente. O segundo experimento foi conduzido com
o objetivo de avaliar os efeitos da oferta de alimentos e composição genética sobre a
partição de energia, produção de CH4 e exigências nutricionais de energia para
mantença, em novilhas leiteiras recebendo diferentes ofertas de alimentos. Os mesmos
animais e dieta utilizada no primeiro experimento foram utilizados no segundo
experimento. Câmaras respirométricas de circuito aberto foram utilizadas para estimar a
produção de calor dos animais por calorimetria indireta e para mensurar a emissão de
CH4. Novilhas Holandês apresentaram consumo de energia metabolizável (Kcal/kg
PC0,75) superiores em 9,63 e 16,52% em relação às novilhas Girolando e Gir na
condição de maior oferta de alimento (19 g/kg PC). As exigências de energia líquida de
mantença para as novilhas Holandês, Gir e Girolando obtidas foram de 83; 63,5 e 80,6
Kcal/kg PC0,75, e a de energia metabolizável de mantença de 130; 106 e 123 Kcal/kg
PC0,75, respectivamente. As eficiências de utilização da energia metabolizável para
mantença foram de 0,64; 0,60 e 0,65 para às novilhas Holandês, Gir e Girolando,
respectivamente. O aumento da oferta de alimentos resultou em redução da produção de
calor como proporção da energia bruta ingerida para todas as composições genéticas.
Animais zebuínos ou mestiços (Holandês × Gir) não emitem mais CH4 em relação a
animais taurinos criadas em condições tropicais, mas possuem menor exigência de ELm
e EMm.