O estudo tem como objeto de pesquisa descrever e analisar o processo de transformação ou transcriação do conto “Beco-do-Mijo”, de autoria da escritora acreana Florentina Esteves, em drama intitulado Manifestação artística “Beco do Mijo”. A base teórica que orienta toda a análise tem como referência Bakhtin/Volochínov (2014), Williams (2010), Portelli (1996 e 2010), Benjamin (1993), Certeau (2011), Hall (2003), Glissant (2005), entre outros críticos e teóricos que possibilitam pensar as questões relativas à relação cultura e sociedade sob a mediação da linguagem. As fontes da pesquisa se constituem no próprio texto de Florentina Esteves, nas narrativas produzidas a partir de diálogos, conversas, “entre/vistas” com os participantes do grupo, nos textos/cenas produzidos durante o processo de adaptação do conto em drama, nas notícias e reportagens publicadas em sites e blogs e no acervo de imagens produzido por diferentes fotógrafos em ensaios e apresentações. O resultado do diálogo e problematização dos dados, narrativas e da própria vivência da autora, a partir dos referenciais teóricos indicados, está organizado em três capítulos que abordam a tradução do “Beco-do-Mijo” conto para o “Beco do Mijo” drama, considerando os limites, a historicidade e a perspectiva estética e ética de sua produção. Também são evidenciadas algumas dimensões do “Beco do Mijo” em cena, sua produção e diálogo com a memorialista Florentina Esteves, assim como os trânsitos da criação/invenção das personagens, suas falas e ações entre a história e a ficção, produzindo espaços, tempos e intervenções de sujeitos em um campo de visualização repleto de alegorias e elementos significantes. Na parte final do estudo é apresentada uma discussão sobre os desdobramentos do “Beco do Mijo” drama nas mídias e outros meios de comunicação, assim como nos olhares dos integrantes do grupo que foram se transformando no processo mesmo de adaptação, leitura, tradução, recriação, transcriação do texto literário para um drama em cena.