A produção de alimentos mostra-se refém de um modelo insustentável, onde a necessidade de aumentar as doses utilizadas dos fungicidas cresce à medida que aumenta a resistência de patógenos aos agrotóxicos utilizados. Com alta vulnerabilidade pós-colheita, a qualidade do fruto de banana depende de procedimentos adequados e nos últimos anos tem-se intensificado as pesquisas em métodos alternativos visando a redução do uso de fungicidas sintéticos no manejo da antracnose destacando-se o controle biológico com óleos essenciais. O objetivo deste trabalho é extrair e caracterizar o óleo essencial das folhas e raízes de pimenta de macaco (Piper aduncum), verificar a inibição do crescimento micelial do fungo Colletotrichum musae e avaliar a severidade da antracnose em pós-colheita nos frutos de banana do sub-grupo “Terra”. Os óleos essenciais das folhas e raízes de P. aduncum foram extraídos utilizando procedimentos de hidrodestilação, analisados e caracterizados por Cromatografia Gasosa e Cromatografia Gasosa acoplada à Espectrometria de Massas e, posteriormente, submetidos a ensaios in vivo e in vitro com o fungo C. musae. O bioensaio in vitro foi realizado com concentrações de 0,25 mL/L, 0,50 mL/L, 0,75 mL/L e 1,00 mL/L de óleo essencial, enquanto o bioensaio in vivo foi utilizado as concentrações de 0,25 mL/L e 0,50mL/L de óleo essencial. Em ambos os tratamentos o tratamento controle foi o tiabendazol a dosagem de 0,65 mL/L. O resultado das extrações forneceu dois óleos com características distintas, tanto na coloração, quanto na densidade e, consequentemente, com índice de refração também diferente. No óleo das folhas houve predominância de piperitona, silvestreno, biciclogermacreno, linalool, germacreno-D e nerolidol e o óleo da raiz predominaram os fenilpropanóides miristicina, dilapiol e croweacin. Nos ensaios, o óleo essencial da folha proporcionou inibição de 67,58% do crescimento micelial com a dosagem de 1,00 ml/L e reduziu a severidade da antracnose em 89,90% com 0,5 mL/L, enquanto o óleo essencial da raiz inibiu totalmente o crescimento micelial nas dosagens de 0,25 mL/L e apresentou área abaixo da curva de progresso da doença semelhante ao tratamento convencional com 0,65mL/L de tiabendazol comercial e inferior em 94,61% em relação à testemunha. Ao final, concluiu-se que a composição química do óleo essencial das folhas e raízes de P. aduncum apresenta potencial fungicida.