A proposta desta pesquisa incorre em descrever o contexto histórico do movimento de Mulheres no Acre, bem como suas influências no movimento das mulheres indígenas. O movimento feminista passou por vários vieses sociais e políticos e funcionou como uma espécie de trampolim para as diversas manifestações de cunho político, inquietações das mulheres, cujas vozes ecoavam de acordo com o espaço e localização social do qual cada grupo se pronunciava, de modo que tais vozes refletiam a conjuntura sociopolítica. O movimento feminista passou por momentos de contradições, resistências, discussões ideológicas entre os homens e mulheres. Tais discussões pautaram-se na reflexão acerca da tentativa de justificar as diferenças biológicas e teológicas dos papéis sociais que foram definidos entre os sexos femininos e masculinos, papéis estes perpetuados nas relações de desigualdades de participação e direitos na vida em sociedade. As contradições serão manifestadas ou identificadas sempre quando houver manifestações do certo e do errado; o movimento de mulheres por ser uma manifestação de um coletivo, não é diferente no aspecto contraditório, das confusões internas e externas no entender e propagar conceitos e sonhos. A esse respeito, Osborne (1998) afirma que existem alguns equívocos sobre o movimento feminista, garantindo que a proposta não se embasa na ideia de superioridade da mulher sobre o homem, mas a continuidade das relações de gêneros que foram desenvolvidas pelos homens por muitas décadas em afirmar que a mulher seria inferior ao homem. Ser feminista significa a igualdade no ver o outro como igual, ambos (homem e mulher) são importantes para o desenvolvimento da vida coletiva, a sua formação social, política, cultural e econômica respalda isso. As mulheres foram, nas práticas das relações sociais, contestar suas situações sociais, políticas e econômicas, dentro das suas singularidades, primeiro o de ser mulher; segundo, nas suas condições econômicas desfavorecidas que as impediam de viver de forma digna. Assim, elas buscam, nas teias sociais, o fortalecimento da sua natureza de sujeitos diversos, dentro do universo social que estavam constituídas. As comunidades eclesiais de bases e o próprio movimento foram os caminhos para aquelas articulações que se fizeram no âmbito sociocultural multifacetado dos sujeitos diversos. A ação e reação determinada pela teologia da libertação foram instituídas entre aqueles grupos sociais como fortalecimento e libertação do mundo opressor da sociedade que divide pessoas em classes sociais e conseqüentemente em gênero. As mulheres foram buscando suas visibilidades por meio de um olhar fotográfico no qual a máquina fotográfica foi o movimento de evangelização, um recurso de luz, de conversão e de estratégias para suas lutas e conquistas. Os encontros de evangelização levavam à reflexão religiosa; ao pautar as discussões sobre a fé e justiça, por meio do evangelho, tais reflexões se projetam nas relações sociais e nas próprias relações de gênero. O movimento de mulheres em seu contexto histórico, já citado, mostra que foram construídos por várias mãos, corpos biológicos e sociais, corpos intelectuais e empíricos, ideias e ideologias, partidos políticos e discursos. Foi a partir do movimento de mulheres, que as primeiras teias sociais humanas entre mulheres não indígenas e indígenas foram se constituindo, entrelaçadas pela temática: relações de gênero, e o desejo de sair da invisibilidade. Esse movimento também estimulou a criação de novas perspectivas sociais de sujeito da sua história junto as suas comunidades étnicas, esses fatores representam os principais motivos para a criação da organização do movimento de mulheres. O poder simbólico no movimento de mulheres conquistou as indígenas que começaram então a participar das dinâmicas das atividades realizadas por aquela representatividade social e identidade social do grupo. O movimento indígena das mulheres comungou sua política da identidade, com a defesa da identidade da mulher indígena que já não definia as questões culturais como simplesmente cultural. O sentir diferente, e ao mesmo tempo singular foi o que levou a algumas mulheres indígenas a criar o próprio movimento social de mulheres. Desse modo, a inquietação social e a política da identidade fora o que podemos constatar como umas das principais contribuições deixadas pelo MMA (Movimento de Mulheres no Acre) ao Movimento de mulheres indígenas.