Esta tese se dedica a analisar, dentro dos critérios estabelecidos pelo conceito de Queenship, as
possibilidades de poder das rainhas portuguesas do período medieval, que compreende os
séculos XII a XV. Dentro deste recorte espaço-temporal, foram estudadas as biografias de sete
rainhas portuguesas, tendo por objetivo tentar estabelecer o quanto de poder a soberana
conseguiu usufruir a partir de questões individuais. A importância social e econômica da família
de origem da rainha foi um critério relevante a ser considerado e a forma como ela seria recebida
no reino para o qual seguiria para se casar. Quanto mais importante fosse a família, mais
valorizada seria a aliança conseguida, e esta poderia ser utilizada pela rainha como forma de
negociar seus espaços de poder. Conseguir cumprir com o papel de perpetuadora da dinastia,
tendo sucesso na função materna, era outro critério de relevância ímpar, que poderia garantir a
posição da rainha, que como mãe do herdeiro do trono, possivelmente conseguiria acesso ao
poder político através de seu papel de Rainha-Mãe. Através de atitudes piedosas, a rainha
encontrava outras oportunidades de poder ao estabelecer relações com o alto clero da Igreja
Católica medieval. No ambiente da corte, a rainha poderia, através de doações, festas,
patrocínios, favorecer e agradar a bispos, abades e cardeais, que poderiam vir fortalecer sua
posição e amparar suas ambições políticas, ao mesmo tempo que tornavam virtualmente
impossível qualquer expectativa que o rei tivesse de substituí-la. Nesta ótica o papado tornouse
um grande aliado das rainhas medievais e as relações destas com os prelados garantiram que
obtivessem poder e boa fama entre a população. Como último critério de Queenship, há
considerações sobre a intercessão, o poder que a rainha possuía a partir da proximidade física
e emocional que estabelecia com o rei, seu marido. Este conjunto de critérios, equilibrados e
combinados de diferentes maneiras, estão na origem do arcabouço que está na base do poder da
rainha. Personalidade, cultura natal, riqueza individual eram outros critérios que poderiam
alterar as sensíveis relações de poder na corte medieval portuguesa.