Este estudo, de natureza linguística, referente ao léxico da obra regional Rios e Barrancos do Acre, tem como objetivos: Analisar de que forma as lexias destacadas na obra de Mário Maia revelam o cotidiano do homem que vivia imerso na realidade dos seringais; listar o significado das lexias encontradas em dois dicionários normativos (gerais): Aurélio (2009), Houaiss (2001) e em dois dicionários regionais: Souza (2012), Morais (2013); comparar os valores semânticos que são atribuídos a essas lexias na obra literária aos significados apresentados nos dicionários utilizados; identificar se alguma dessas lexias poderia ser considerada como regionalismo linguístico e elaborar um glossário a partir das lexias apontadas, com conceitos e/ou definições de fácil compreensão. A pesquisa está fundamentada em duas ciências do léxico, Lexicologia e Lexicografia, e em conceitos relativos à Semântica. Apresentam-se, ainda, definições a respeito da teoria dos campos léxicos, na qual as lexias não podem ser vistas ou pensadas isoladamente, mas devem sempre estar associadas a outras lexias por algum critério previamente estabelecido. Para a elaboração do glossário foi necessário observar conceitos relativos à macroestrutura (forma de organização interna do dicionário ou glossário) e microestrutura (como os verbetes ou palavras estão descritos dentro das obras) de obras lexicográficas. É uma pesquisa de cunho bibliográfico, que visa confrontar conceitos de teóricos consagrados com contemporâneos. O corpus é formado por 181 lexias retiradas da obra em estudo, que foram conferidas nos quatro dicionários selecionados. As lexias de origem Tupi foram ainda, confirmadas em dois dicionários específicos dessa língua: Sampaio (1901) e Tibiriçá (1984). Para a produção do glossário, elaborou-se uma ficha lexicográfica para cada uma das lexias. Acredita-se que, com os resultados de um estudo lexical, é possível revelar um pouco da história e da cultura do povo acreano retratado no contexto do livro. Os resultados mostram que, a julgar pelo tipo de povoamento das terras acreanas, os imigrantes nordestinos trouxeram para o Acre, além de suas presenças físicas, suas variantes linguísticas, tradições, crenças, cultura, que se miscigenaram com as expressões socioculturais nativas. Em decorrência de todo esse processo, diversos regionalismos linguísticos podem ser encontrados na obra de Mário Maia.