A pesquisa, intitulada “Política de ensino médio modular no Pará: princípios, diretrizes e
práticas formativas para juventude do campo na Amazônia” tem como objetivo analisar o
ensino médio modular como política de atendimento da juventude do campo, no contexto de
Cametá, para problematizar a concepção de formação proposta pelo Estado, considerando as
orientações oficiais do SOME e os princípios e diretrizes da educação do campo. O estudo conta
com uma abordagem baseado no Materialismo Histórico e Dialético e segue os seguintes
procedimentos: revisão bibliográfica acerca do tema em estudo, observação in lócus na vila de
Juaba e aplicação de questionários e entrevistas semiestruturadas com a direção da 2ª Unidade
Regional de Educação – URE/Cametá, com a direção da E.E.E.M. Prof.ª Osvaldina Muniz –
que coordena o SOME – e com professores que atuam na comunidade escolar em questão. A
pesquisa de campo teve como meta reunir informações que possam contribuir para a análise do
objeto investigado considerando, assim, meios que permitam a reflexão e a contradição e, com
isso, motivar uma nova descoberta no campo do conhecimento. Para fundamentar a análise, o
pensamento marxista contribui com a interpretação dos dados, levando em conta as categorias
como o princípio da mediação, da contradição e da totalidade. Nesse sentido, seguem os autores
que corroboram com o texto: destacam-se Carnoy (1987), Corrêa (2005), Cury (1995), Freire
(1996; 2011), Frigotto (2004; 2011), Krawczyk (2004; 2009), Kopnin (1978; 1993), Kosik
(1976; 1978), Kuenzer (1988, 2009), Machado (1998; 2009), Ramos (2004; 2005), Oliveira
(2004; 2009), dentre de outros. Na análise, compreendeu-se que os princípios e diretrizes do
ensino médio modular têm colaborado com a formação da juventude do campo, pois se
constituem como um conjunto de ações e metas com abertura para adequação das práticas
formativas escolares. Contudo, a pesquisa demostrou a falta de políticas operacionais tais como:
infraestrutura adequada aos alunos e professores, transporte, merenda escolar com qualidade e
regularidade, além de suporte técnico, didático e pedagógico, dentre outros. O que se nota é que
o Estado em parte se mantém “neutro” de sua responsabilidade com a educação. Destaca-se
ainda as limitações do SOME em se garantir enquanto uma política ativa para a juventude.