Esta dissertação trata da obra literária de Miguel Jeronymo Ferrante (1920-2001), Seringal (1972), literatura de caráter amazônico. Buscamos analisar, em linhas gerais, a partir dos conceitos de Deleuze (1925-1995) e Guattari (1930-1992) a obra Seringal e verificar se se trata de uma literatura representacional ou uma literatura que afirma a diferença. No que concerne à Literatura da “representação”, percebemos que tal ideia remete às noções de identidade, semelhança, analogia e oposição. Já a literatura da “diferença” remete às noções de desterritorialização, agenciamento, política, rizoma e vida. Em linhas específicas, objetivamos analisar, dialogar, questionar e/ou indagar o romance de Miguel Ferrante (1972); averiguando os elementos narrativos, tais como: “narrador”, “enredo”, “personagens”, “espaço” e “tempo”. No esmiuçar dos conceitos deleuzianos e guattarianos, recorremos, primordialmente, a Deleuze (2006), (2015) e (1987), bem como a Deleuze & Guattari (2011) e (2014); já numa perspectiva secundária, o foco se deu em Deleuze (2004), (2010a), (2010b), (1987) e (1997). Nossas conclusões apontam para a inexistência de uma literatura da diferença, ainda que tenhamos selecionado os conceitos de “signos”, “rizoma” e “vida” para “compor” o conceito de literatura da diferença, no sentido de encontrar aspectos, passagens do romance que os correlacionassem; não constatamos nenhum vestígio ou elementos que pudesse promover a aproximação dos conceitos com os elementos narrativos da obra Seringal. Ou seja, a obra Seringal incide em uma literatura da representação, uma vez que, na análise percebemos que os elementos literários (narrador, enredo, personagens, espaço e tempo) da obra Seringal acentuam-se mais proximamente ao lado do conceito de “representação” (com sua “quádrupla raiz” conceitual de “identidade”, “semelhança”, “oposição” e “analogia”) do que ao lado do conceito de diferença que, consequentemente, traz consigo os conceitos de signos, rizoma, vida e literatura menor.